Baleado por um policial militar enquanto andava, desarmado, por uma rua da periferia de Foz do Iguaçu, o taxista José Rodrigues Chaves, de 36 anos, está paraplégico. O soldado que o feriu, João Camargo Neto, de 41 anos, funcionário do 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM), foi afastado do policiamento das ruas e responde a inquérito interno. Mas continua na companhia.
Chaves foi baleado às 17h40 do dia 24 de setembro, quando voltava, a pé, para casa, depois de mais de 20 horas de trabalho ininterruptas. Ele era motorista de uma frota de táxis e trabalhava havia 12 anos no ponto da Rodoviária de Foz do Iguaçu, a cerca de um quilômetro de sua casa, no bairro Campos do Iguaçu (região leste da cidade).
‘‘Quando deixei o serviço, comprei um pacote de leite na mercearia. A menos de 100 metros de casa, percebi que um carro parou ao meu lado. Eu estava na calçada. Ouvi uma voz: ‘Pare!. Eu parei, me virei e vi uma viatura da PM, com dois soldados dentro. O que estava no banco do passageiro abriu a porta, apontou a arma em minha direção e atirou apenas uma vez’’, relatou o taxista à Folha.
O tiro atingiu de raspão o braço esquerdo de Chaves, atravessou seu pulmão e se alojou na coluna. ‘‘O policial desceu do carro, pegou os documentos que estavam no bolso da minha camisa e aí chamou o Siate (serviço de socorro a feridos do Corpo de Bombeiros), que me levou para a Santa Casa.’
Depois de 13 dias internado, Chaves deixou o hospital anteontem. Ele só conservou os movimentos do peito para cima. O taxista é casado e tem dois filhos: Anderson, de 14 anos, e Cínthia, de nove. Sustentava a família com a comissão das corridas que fazia, o que lhe rendia aproximadamente dois salários mínimos (R$ 260,00) mensais.
A família mora em uma casa de três cômodos, nos fundos de um prédio de quitinetes. Sua mulher, Elci Rodrigues da Silva, de 36 anos, limpa o prédio em troca do aluguel da casa.
Elci está iniciando uma campanha para obter doações. Ela disse que precisa de uma cama hospitalar, roupas de cama e fraldas para adultos. ‘‘Precisamos também do trabalho de um fisioterapeuta voluntário para que meu marido possa recuperar alguns movimentos’’, afirmou. O endereço é Rua Amazonas, 843, bairro Campos do Iguaçu. A família não tem telefone.
Nos 13 anos em que trabalhou como taxista, Chaves foi assaltado apenas uma vez. Foi há quatro meses. Os assaltantes levaram R$ 25,00 e não houve violência. ‘‘Sempre tive medo de assaltantes, mas nunca imaginei ser vítima da polícia.’ Elci disse que pretende mover uma ação na Justiça para que o governo do Estado - responsável pela PM - seja obrigado a pagar uma indenização a seu marido.

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