Baleado em delegacia fica paralítico
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 1999
Valmir Denardin 
O pedreiro José Geraldo Batista, de 24 anos, foi baleado na coluna por um policial civil no pátio da 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, na madrugada de anteontem. Segundo o neurocirurgião Celso Fagundes, que está atendendo o pedreiro na Santa Casa da cidade, ele deverá ficar paraplégico. A bala atingiu a região lombar. É um caso de reversão muito difícil, disse o médio à Folha.
De acordo com a versão divulgada pela Polícia Civil, Batista foi detido por dois policiais porque estaria bêbado, assediando mulheres no Restaurante Ilha do Mel, localizado na Rua Almirante Barroso, no centro da cidade. Ele foi levado, algemado, à 6ª SDP.
Ao chegar ao pátio da delegacia, os policiais teriam retirado as algemas do pedreiro, para que ele fosse levado a uma cela. Segundo essa versão, o preso agrediu um dos policiais com um soco no rosto, sacou uma pistola 9 milímetros que trazia escondida na cueca, começou a atirar e a correr em direção ao portão, para fugir.
Os policiais então teriam revidado os tiros, atingindo o pedreiro nas costas. O nome dos dois policiais envolvidos na ação não foi divulgado.
A mulher do pedreiro, a dona de casa Marinês Aparecida da Silva, de 24 anos, contesta a versão da polícia. Ela disse que, no início da madrugada de sexta-feira, estava com o marido e um amigo dele tomando cerveja em um bar na Avenida Jorge Schimmelpfeng, também no centro.
Por volta das 2 horas, ela teria ido para casa. Os dois homens preferiram permancer no bar. Às 4h30, Batista teria chegado em casa, com a camiseta ensanguentada. Segundo Marinês, ele contou que foi com o amigo ao Restaurante Ilha do Mel. Nesse local, o pedreiro teria sido espancado por policiais, que foram chamados depois que frequentadores acusaram Batista de ter assediado uma mulher.
Segundo Marinês, Batista foi liberado pelos policiais após o espancamento. Ao chegar em casa, ele resolveu voltar ao restaurante para procurar seu amigo. Teria sido nessa ocasião que o pedreiro foi levado para a delegacia.
Durante a manhã de ontem, a Folha procurou o delgado-chefe da 6ª SDP, Luís Carlos de Oliveira. Policiais de plantão informaram que ele não estava e que não havia ninguém que pudesse comentar o caso. O quarto ocupado por Batista na Santa Casa estava sendo guardado por policiais, que impediam a entrada de jornalistas.


