Baleada e grávida, mulher passa por dificuldades
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Grávida, três filhos, paraplégica e sem recursos. Com apenas 22 anos de idade, Adriana Pereira da Silva vive um grande drama. No dia 3 de julho deste ano ela foi atingida por cinco tiros, na varanda de sua casa, no Jardim Campos Verdes, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). Um deles atingiu a medula, imobilizando-a da cintura para baixo. Ela não sabe o que motivou o crime, mas imagina que os autores pretendiam praticar um assalto.
Depois de três meses no hospital, a vida que já era dura ficou muito mais cruel. Hoje ela passa a maior parte do tempo sobre um pedaço de espuma que lhe serve de colchão. Para sentar na cadeira de rodas e tomar banho, só com a ajuda de alguém. O mais grave porém, é a falta de condições financeiras. ''Este mês não temos dinheiro nem para o aluguel, de R$ 150,00.''
Outro grande problema é que Adriana não tem quem a leve às sessões de fisioterapia. ''Meu irmão estava me levando duas vezes por semana na clínica da Unopar (Universidade Norte do Paraná), mas segunda-feira ele bateu o carro e não vai mais poder me levar. Sem a fisioterapia, vou acabar perdendo os movimentos novamente. Logo que saí do hospital não mexia as pernas e uma das mãos. Agora já estou bem melhor.''
Adriana diz que já foi em vários órgãos públicos à procura de transporte, mas em todos os locais foi informada que esta possibilidade não existe, por enquanto. ''No dia 28 eu tenho pré-natal no Hospital de Clínicas, mas não sei como vou fazer para ir até lá.'' Adriana descobriu que estava grávida logo após a suposta tentativa de assalto. O marido, segundo ela, partiu para São Paulo com as duas filhas uma de um ano e outra de dois anos com medo da violência. O filho mais velho, de quatro anos, está no Lar Anália Franco.
Adriana vive com o pai, em uma casa no Conjunto Farid Libos (Zona Norte), com a ajuda de uma cesta básica doada pelos vicentinos. Apesar das dificuldades, ela não perde o bom-humor e a fé de que um dia vai voltar a andar. Uma correspodência recebida dias desses também a deixou mais animada. ''Meu pai me cadastrou para receber auxílio-doença, e parece que no mês que vem vai vir alguma coisa'', anima-se.
Há três dias Adriana ganhou uma cadeira de rodas nova da ONG Projeto Esperança, que levanta recursos junto à comunidade para atender famílias carentes. Uma das voluntárias, Suzana de Saldi Araújo da Silva, informou que a ONG vai continuar trabalhando para conseguir mais doações, como fraldas descartáveis, colchão d'água e roupinhas de bebê. Quem quizer ajudar pode entrar em contato pelos telefones (43) 3344-1782 ou 3356-8255.


