Balé para retomar sonhos
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segunda-feira, 07 de março de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Movimentos firmes, mas feitos com leveza. Todos os dias meninas, no mundo todo, tentam adquirir habilidade para, com perfeição, executar os diversos passos do balé clássico. Algumas nutrem até mesmo o sonho de se tornarem conhecidas por meio da arte.
Contudo, outras responsabilidades, como os estudos, trabalho ou outros motivos, muitas vezes fazem a bailarina abandonar o tablado. O sonho acaba, mas não morre e em escolas específicas de balé é fácil encontrar mulheres que voltaram a praticar a dança, mesmo depois de uma longa parada.
Ana Lucia Carvalho e Pereira, 36 anos, revisora de textos, conta que a dança apareceu em sua vida quando ainda era criança, só que aos 15 acabou deixando de lado a prática para trabalhar e estudar.
Quase 20 anos depois, voltou a frequentar a Escola Municipal de Dança em Londrina e hoje se sente realizada. ''O balé foi um sonho adiado. Depois dos 30, com uma profissão e vida estável, consegui voltar'', conta. Segundo ela, o retorno aconteceu há três anos. ''Não pretendo parar tão cedo.''
O exercício da dança exige muito alongamento e horas de dedicação. Dificuldades que, para Ana Lucia, servem como motivação, recompensada com um movimento bem executado. ''Bailarina é assim, ela vem para aula e precisa sair daqui fazendo algo que não fazia na aula passada. Cada movimento executado é gratificante'', avalia.
A ''nova bailarina'', diz que apesar das dificuldades, a idade trás aspectos positivos, como a vontade de se dedicar ainda mais em cada exercício passado pelo professor. ''Às vezes, quando você é menina, não quer fazer algum movimento por achar difícil. A maturidade te deixa com mais vontade e gana para atingir os objetivos'', opina.
Na turma de Ana Lucia, há histórias parecidas com a dela, que trazem mais um benefício as meninas, uma troca de experiências e o incentivo para que consigam fazer aquilo que é solicitado pelo professor.
Relatos que se confundem, de uma vida ligada ao balé e quase sempre o incentivo da mãe ou de colegas. Assim foi com a empresária Natália Tonelli Menegazo, 28. ''Minha mãe foi bailarina e comecei por causa disso, mas aí um dia resolvi parar para estudar e fazer outras coisas'', justifica.
Um dos motivos que Natália alega como culpado de sua parada, aos 16, era a rigidez dos ensaios. ''Quando você é pequena os ensaios são rígidos, mas com o tempo você vai fazendo tanta coisa que o balé serve para relaxar'', afirma a moça que voltou à atividade há seis meses. Há exemplo de Ana Lucia, ela não pretende parar tão cedo.


