Movimentos firmes, mas feitos com leveza. Todos os dias meninas, no mundo todo, tentam adquirir habilidade para, com perfeição, executar os diversos passos do balé clássico. Algumas nutrem até mesmo o sonho de se tornarem conhecidas por meio da arte.
Contudo, outras responsabilidades, como os estudos, trabalho ou outros motivos, muitas vezes fazem a bailarina abandonar o tablado. O sonho acaba, mas não morre e em escolas específicas de balé é fácil encontrar mulheres que voltaram a praticar a dança, mesmo depois de uma longa parada.
Ana Lucia Carvalho e Pereira, 36 anos, revisora de textos, conta que a dança apareceu em sua vida quando ainda era criança, só que aos 15 acabou deixando de lado a prática para trabalhar e estudar.
Quase 20 anos depois, voltou a frequentar a Escola Municipal de Dança em Londrina e hoje se sente realizada. ''O balé foi um sonho adiado. Depois dos 30, com uma profissão e vida estável, consegui voltar'', conta. Segundo ela, o retorno aconteceu há três anos. ''Não pretendo parar tão cedo.''
O exercício da dança exige muito alongamento e horas de dedicação. Dificuldades que, para Ana Lucia, servem como motivação, recompensada com um movimento bem executado. ''Bailarina é assim, ela vem para aula e precisa sair daqui fazendo algo que não fazia na aula passada. Cada movimento executado é gratificante'', avalia.
A ''nova bailarina'', diz que apesar das dificuldades, a idade trás aspectos positivos, como a vontade de se dedicar ainda mais em cada exercício passado pelo professor. ''Às vezes, quando você é menina, não quer fazer algum movimento por achar difícil. A maturidade te deixa com mais vontade e gana para atingir os objetivos'', opina.
Na turma de Ana Lucia, há histórias parecidas com a dela, que trazem mais um benefício as meninas, uma troca de experiências e o incentivo para que consigam fazer aquilo que é solicitado pelo professor.
Relatos que se confundem, de uma vida ligada ao balé e quase sempre o incentivo da mãe ou de colegas. Assim foi com a empresária Natália Tonelli Menegazo, 28. ''Minha mãe foi bailarina e comecei por causa disso, mas aí um dia resolvi parar para estudar e fazer outras coisas'', justifica.
Um dos motivos que Natália alega como culpado de sua parada, aos 16, era a rigidez dos ensaios. ''Quando você é pequena os ensaios são rígidos, mas com o tempo você vai fazendo tanta coisa que o balé serve para relaxar'', afirma a moça que voltou à atividade há seis meses. Há exemplo de Ana Lucia, ela não pretende parar tão cedo.

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