Balança funciona e causa irritação
Balança funciona e causa irritação
Sid Sauer
Simone GirotoNa balançade Peabiru, o sistema de pesagem por eixo é todo controlado eletronicamenteA balança de pesagem de caminhões na PR-317, em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), já irritou tanto os caminhoneiros que, há cinco anos, chegou a provocar um protesto que fechou a rodovia. Na época, os motoristas reivindicavam que a balança fizesse a pesagem num só sentido da rodovia e que levasse em conta o peso bruto e não o peso por eixo. Tudo em vão. A balança continua do mesmo jeito, mas as reclamações diminuíram. E os abusos também.
No começo, cerca de 80% dos caminhões que passavam pela balança estavam com excesso de peso, lembra o chefe de distrito do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Campo Mourão, Otávio José da Rocha. Por isso mesmo, as reclamações eram grandes. Hoje, o excesso de carga é verificado em menos de 20% dos caminhões. A média de excesso também caiu de 9 mil quilos para cerca de 900 quilos. A redução é de 90%, comemora Rocha.
A principal queixa dos caminhoneiros era que cargas liberadas por outras balanças acabavam acusando excesso na balança de Peabiru. O motivo é o sistema de pesagem por eixo. Isso significa que uma carga pode ter um peso bruto inferior ao permitido por lei, mas estar com um eixo sobrecarregado. Foi o que aconteceu com o motorista José Augusto de Godoy, de São Pedro (SP). Ele foi multado por ter 460 quilos a mais no eixo da tração de sua carreta.
Isso é o maior absurdo, protestou. Como é que vou distribuir corretamente a carga por eixos?, questiona. Nem os engenheiros que projetam um caminhão conseguiriam fazer isso. Godoy estava com uma carreta carregada de algodão e, pelo excesso, levou uma multa de 60 UFIRs (R$ 57,66). Segundo ele, foi a primeira vez que recebeu uma multa na balança de Peabiru. No eixo da frente está faltando peso, mas será que vou ter que levar a carga no capô?, indagou.
João Válter Ferreira, de São Miguel do Iguaçu, também foi barrado pela balança. O caminhão que ele dirigia, pertencente a uma empresa de frios, acusou um excesso de 270 quilos num dos eixos, o que resultou numa multa de 40 UFIRs (R$ 38,44). O caminhão foi mal carregado, reconheceu Ferreira, mas é difícil controlar a carga. Segundo a Polícia Rodoviária, quando não há viatura no local é comum ver caminhoneiros fugindo da balança.
O chefe do DER, no entanto, diz que a balança de Peabiru é a mais transparente do País, uma vez que é a única que conta com um sistema eletrônico que garante ao motorista que a carga está mesmo contendo excesso. Não há como duvidar, garante Rocha. Com a privatização da rodovia, que faz parte do Anel de Integração, o DER vai repassar a balança para a Viapar, que já anunciou a implantação de sistemas ainda mais modernos de pesagem para o local.





