Muitas são as utilidades de um balaio de bambu. Pode ser usado para transportar cargas, armazenar objetos. Já encontrar um artesão habilidoso e experiente na produção deles é uma tarefa mais difícil. Na zona leste de Londrina, o artesão Joaquim Antonio de Melo, de 65 anos, é uma referência na produção dos cestos.
Em uma chácara na Rua Luiza Betti, na Gleba Lindoia, Melo fabrica os balaios, de diversos tamanhos. "Chega caminhonete aqui que fica pequena para tanto balaio", garante. O encerado jogado no chão de terra é só o começo do trabalho. Com facões afiados, o mineiro de Guaxupé, em minutos, transforma a matéria-prima nas peças encomendadas. "Faço no sol, faço na chuva e o bambu vem por encomenda. Começo do fundo e vou entrelaçando. No começo fiz muita porcaria, hoje é tudo de primeira", orgulha-se.
Para provar a resistência, Melo vira o cesto de cabeça pra baixo, sobe nele e pula, feito criança. "E olha que eu peso 66 quilos. Isso aqui é forte, mesmo", diz. Ele conta que há quem escolha peças apenas para decorar a casa e deixar ainda mais aconchegante.
Para fazer cada peça, são dois dias inteiros de trabalho, "sem contar o acabamento". E para que o produto seja de qualidade, é necessário tomar alguns cuidados, como caprichar na escolha do bambu. "Tem que fazer com bambu maduro, do contrário não dá balaio que preste", ensina. "Tem freguês que está comigo desde que comecei. Já vendi para Minas Gerais, Brasília e [o balaio] vai carregado de milho, folha, o que precisar." O valor de cada peça varia de R$ 30 a R$ 70, no caso dos modelos mais tradicionais.
Sobre o ofício de longa data, Joaquim Melo explica: "A gente quando é novo tem que pensar que tem que ter uma profissão. Hoje, ninguém quer aprender e eu quero ensinar. Nasci debaixo do pé de café, tombo terra com trator, amanso animal, mexo com roça, com café, conheço todo tipo planta e nunca morei na cidade", conta. E quem observa o artesão, admira-se com tanta disposição.

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