Cidade universitária, jovens cheios de disposição. Essa combinação, inevitavelmente, resulta em boas festas. Hoje, cursos de diversas faculdades promovem as suas baladas, na maioria da vezes com a intenção de arrecadar fundos para a tão sonhada festa de formatura. No programa, música, dança, bebidas, paquera, diversão e solidariedade. Solidariedade?
É isso mesmo. De uns tempos para cá, muitas festas pedem um quilo de alimento não perecível como parte do ingresso para entrada, os quais são revertidos para entidades assistenciais.
Há três anos, os amigos Cristiano Stuani e Gabriel Garcia tiveram que fazer um trabalho para o curso de Administração, que cursavam na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Eles abordaram o tema ''marketing social'' e resolveram arrecadar alimentos no tradicional ''Churrasco de Marketing''. Fizeram o trabalho acadêmico e nunca mais pararam de recolher alimentos nas portas das baladas.
''A gratidão daqueles que receberam as primeiras doações nos tocaram. Era apenas um trabalho de faculdade, mas vimos que é bom ajudar'', conta Stuani. Segundo Martins, 12 toneladas de alimentos já foram arrecadadas desde que eles começaram com a idéia. Mais de uma dezena de entidades já receberam as doações.
Atualmente, mesmo formados, eles continuam trabalhando nas festas. São referências no assunto. ''Os promotores dos eventos nos ligam e pedem para fazermos a parte solidária. Até no Orkut (comunidade de relacionamentos da Internet) recebemos recados pedindo para arrecadarmos os alimentos'', contam os amigos.
Para quem precisa, as doações dos baladeiros são mais que bem-vindas. Em Londrina, não faltam instituições carentes de recursos para atender aos mais necessitados. Um exemplo é o Lar Anália Franco, que dá abrigo a 70 crianças e oferece educação infantil, no sistema de creche, a outras 160. Os recursos repassados pela prefeitura são insuficientes. As doações é que garantem as três refeições diárias aos pequeninos.
No Lar das Vovozinhas, que abriga 33 senhoras, a situação é semelhante. Qualquer doação é aceita, desde materiais de limpeza até arroz e feijão. Porém, o produto mais necessário é a fralda geriátrica, algo muito utilizados pelas velhinhas. ''Dependemos demais das doações'', sintetiza Rosa Bortolazzi, coordenadora do lar.
Na Casa do Bom Samaritano, que tem capacidade para abrigar até 76 pessoas, as doações também são mais do que necessárias. Para se ter uma idéia, o consumo diário de arroz chega aos 15 quilos. ''Precisamos, principalmente de arroz, açúcar, café e produtos de limpeza. As doações nos ajudam muito, pois assim podemos utilizar os recursos oficiais que recebemos para pagar outras depespesas'', explica Carlos Eduardo Martins, auxiliar administrativo da casa.
Diversas entidades consultadas pela FOLHA se queixaram das dificuldades de fim de ano, quando é preciso pagar 13º salário e férias aos funcionários. Justamente nesta época, com as férias dos estudantes, o circuito das festas universitárias tem uma pausa. Por isso, para continuar colaborando, Stuani e Garcia estão fazendo uma rifa de uma mesa de bilhar. Com o dinheiro arrecadado, eles pretendem comprar presentes de Natal para as crianças pobres da cidade.

Serviço: para colaborar com os ''baladeiros solidários'', basta ligar para 3337-1312 ou 9954-7604

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