Curitiba – A costureira Vanira da Costa, 60 anos, morreu na madrugada de ontem vítima de uma bala perdida. Ela estava no quarto da casa onde morava no bairro do Tarumã quando um projétil atravessou pela janela e atingiu a testa de Vanira. Apesar do fato ter ocorrido na madrugada, os familiares somente tiveram conhecimento da morte da costureira por volta das 8 horas. ‘‘Não tínhamos como saber antes. Ela não deu um grito. Nada’’, contou José Moacir da Rosa, irmão da vítima.
  Os familiares contaram que todos foram dormir por volta das 22 horas. Na madrugada, eles ouviram um tiroteio entre policiais militares e pessoas classificadas como ‘‘bandidos’’. ‘‘Este tipo de tiroteio é comum aqui’’, alertou Rosa. Os investigadores da Delegacia de Homicídios estiveram na manhã de ontem fazendo um exame do local do tiroteio para tentar descobrir se a arma era mesmo da polícia. No entanto, as cápsulas dos projéteis foram retiradas dos muros. ‘‘Não parece coisa de bandido. Parece coisa de policial’’, suspeitou um investigador que fez a perícia.
  Os policiais civis não conseguiram testemunhas oculares do tiroteio. O inquérito vai ser instaurado imediatamente para apurar os fatos. Por precaução, deverão ser levantadas as viaturas que trabalhavam na região e as armas dos policiais civis ou militares serão vistoriadas. O projétil que atingiu Vanira era de um revólver calibre 38.
  A reportagem da Folha entrou em contato com o coronel Davi Pancotti, comandante da Polícia Militar, que não quis falar sobre o assunto. A sala de imprensa da PM informou que ainda não tem a confirmação de que a bala perdida tenha saído de arma de um policial militar. A assessoria de imprensa reforçou que não houve qualquer ocorrência com troca de tiros registrada na PM naquela região durante a madrugada de ontem.
  Este é o segundo caso de morte por bala perdida, em Curitiba, em apenas uma semana. A menina Daniele Rabello Campos, de quatro anos, foi atingida na cabeça por uma bala perdida no bairro do Cajuru.

mockup