Marcos BorgesPeça importanteO perito Geraldo Gonçalves Filho mostra a bala achada na fazenda Borborema: exames dirão se ela foi disparada pelo segurançaOs peritos do Instituto de Criminalística de Londrina encontraram ontem uma bala que pode ser de um tiro disparado por José Lopes de Oliveira, o Django, no sábado anterior ao conflito na fazenda Borborema, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina). O projétil, de chumbo nu, calibre 38, estava a 31,05 metros do ponto de onde Django teria atirado na manhã do dia 27 de abril, em frente ao barraco do sem-terra José Romano Marcondes. A distância foi medida pelos peritos a partir de informações do próprio Marcondes.
Segundo depoimento de Marcondes ao delegado do 4º Distrito Policial, que preside o caso, Jurandir Gonçalves André, a família do sem-terra teria sido ameaçada por Django e outros dois seguranças da fazenda - Pedrinho e Edson Lucena - que teriam feito quatro disparados próximos ao barraco (um deles teria falhado). No domingo, Django foi morto com um tiro numa casa da fazenda, durante um conflito.
As buscas com detector de metal começaram às 15h30. O projétil foi encontrado às 18h30, depois que uma área de 80 metros quadrados tinha sido vasculhada. A delimitação do local também seguiu informações do sem-terra, que teria sido vítima da violência dos jagunços. A perícia começou na quarta-feira mas, sem equipamentos especiais para o serviço, os peritos não conseguiram encontrar nenhum vestígio da violência.
Pelas condições do material, o subchefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves Filho, acredita que a bala tenha ricocheteado antes de chegar ao lugar onde foi encontrada. ‘‘Há ferimento na terra, o projétil está pouco deformado e com bastante terra. Ele deve ter batido em algo mole antes de chegar aqui’’, afirmou. Pela prova feita com a caneta a laser, logo após a localização do projétil, segundo Gonçalves, o tiro não foi direto. Por ser chumbo nu, o perito Luciano Bucharles alertou que o projétil também pode ser de carabina. ‘‘Se for, o estojo está por aí.’’
Gonçalves disse ontem que só pode garantir que o projétil seja de uma das armas de Django apreendidas pela Polícia depois do exame de balística. A expectativa de Gonçalves, ontem à noite, era que o resultado saia ainda hoje. Mas ele adiantou que tudo dependeria do volume de trabalho do setor.
O trabalho dos peritos na área apontada pelo sem-terra Marcondes ainda não terminou. Considerando os disparos com espingarda feitos do lado do barraco, Gonçalves calcula que a equipe ainda tenha cerca de 20 metros quadrados para vasculhar na área. De acordo com o sem-terra Marcondes, os seguranças estavam com dois revólveres e uma espingarda cada. Três dos disparos teriam sido com espingardas. Mas o chefe da Criminalística pretende esperar o resultado do exame de balística, que pode descartar a necessidade de novas perícias no local. ‘‘Se o exame revelar que o projétil é de uma das armas que temos, não precisamos fazer mais buscas. Já basta como prova material dos disparos.’’
O Instituto de Criminalística está concluindo o confronto de imagens feitas pela TV Londrina no dia do conflito. As imagens mostram pessoas que estiveram na casa antes da morte de Django. O trabalho deve ser concluído na próxima semana.
Hoje o delegado Jurandir André deve ouvir o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Josmar Choptian apontado como um dos suspeitos pela morte de Django. O depoimento está marcado para o início da tarde. O resultado da análise de cromatologia também é esperado para hoje pelo responsável pelo setor de análise química do Instituto, Marco Antonio Otta. O exame está sendo realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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