Baixos salários impedem contratações
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Os baixos salários oferecidos para os cargos seletivos do Hospital Universitário (HU) foram apontados pelo superintendente Francisco Eugênio Alves de Souza como a principal causa das dificuldades enfrentadas pelo Estado para a contratação de profissionais de saúde. A afirmação foi feita ontem pela manhã, durante uma coletiva convocada para apresentar à população as causas para a previsão de fechamento de até 50 leitos do HU. Onze deles já estão desativados e não há prazo para fechamento dos demais.
A opção pela desativação dos leitos em consequência da falta de pessoal foi anunciada anteontem pelo superintendente do HU. Segundo ele, o hospital precisa de pelo menos 70 profissionais nas áreas de enfermagem, plantonistas das unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e anestesiologistas, além de pessoal de apoio nas áreas de nutrição, administração e lavanderia. Souza justificou o fechamento como forma de garantir atendimento de boa qualidade aos internados.
''Estamos realizando testes seletivos desde o início do ano, mas não há interessados devido aos baixos salários oferecidos'', disse o superintendente. Em caráter emergencial, o Conselho Diretor do hospital calcula o número exato da quantidade de profissionais necessários para a manutenção do funcionamento dos leitos. O pedido seria encaminhado ainda ontem para a Secretaria de Estado de Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, gestora dos hospitais universitários do Paraná. ''Só não sabemos ainda se a secretaria vai oferecer um salário maior para resolver o problema da falta de candidatos'', disse Souza.
De acordo com o superintendende, o HU não contrata pessoal há seis anos. Aposentadorias, demissões e mortes teriam gerado o déficit de profissionais. Até agora, 11 leitos do setor de tisiologia (tratamento de tuberculose) foram fechados. Os pacientes do setor estão sendo encaminhados para a área de moléstias infecto-contagiosas. Segundo Souza, se o problema não for resolvido em breve, as unidades médico-cirúrgicas feminina e masculina, maternidade e pediatria serão os próximos setores a sofrerem baixa no número de leitos, totalizando os 50 previstos pelo Conselho Diretor. ''Não há um próximo setor a ter leitos fechados. As desativações, se necessárias, vão ocorrer de acordo com as altas'', explicou Souza.
O HU, centro de referência no atendimento terciário no Norte do Estado, conta atualmente com 322 leitos, todos ocupados. Souza não soube estimar qual o impacto do fechamento de até 50 leitos no atendimento médico da região. Na opinião do superintendente, o comprometimento do sistema municipal de saúde tem gerado situações como os casos de superlotação no próprio HU.
''Estamos desenvolvendo um projeto justamente para prevenir o HU disso. Os atendimentos no hospital só serão realizados com encaminhamento prévio dos demais serviços de saúde. A estrutura terciária do HU deve ser destinada ao atendimento terciário'', resumiu.


