O Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (SindSaúde) protestou ontem - Dia Nacional de Luta pela Saúde -, na Boca Maldita, em Curitiba, contra os baixos investimentos na saúde pública do Brasil. Os manifestantes distribuíram uma tonelada de bananas para a população que passava no local, das 12 horas até as 13h30. ‘‘Queremos que as pessoas dediquem as bananas aos seus governantes que investem pouco em Saúde’’, afirmou a coordenadora do SindSaúde, Mari Elaine Rodella.
Elaine disse que o governo do Estado tem investido cada vez menos em Saúde e que um dos resultados disso é a epidemia de cólera em Paranaguá. ‘‘A cólera não é uma fatalidade. Era uma coisa previsível, que ações preventivas poderiam ter evitado’’, afirmou. ‘‘A solução era fazer saneamento básico, mas essa é uma obra subterrânea que não tem como turista ver.’’ Para Elaine, não adianta conter a cólera se a população vai continuar nas mesmas condições. ‘‘Saúde é ter habitação, educação, emprego, alimentação e lazer.’’
Segundo Elaine, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê um investimento mínimo anual de US$ 250 por habitante na área de Saúde. O Brasil investe pouco mais de R$ 80 - valor muito abaixo do necessário. No Paraná, os investimentos também não são suficientes, segundo o SindSaúde. Na gestão passada, o governador Jaime Lerner investiu 2,8% do orçamento na área. ‘‘Para 1999, o governo prevê investimento de 2,08%.’’
Além de reclamar do pouco caso dos governos Fernando Henrique Cardoso e Jaime Lerner, o SindSaúde aproveitou para esclarecer a população sobre a cólera e o risco da incineração do lixo hospitalar.
No Dia Nacional de Luta pela Saúde, o sindicato também lembrou que os servidores não recebem reajuste há 42 meses, um terço de férias, hora extra e adicional noturno. ‘‘Mesmo desestimulados e aviltados pelo governo, são eles que estão batendo de porta em porta, em Paranaguá, para esclarecer sobre a cólera.’’Mauro FrassonSindiSaúde distribuiu uma tonelada de bananas durante a manifestaçãoAnna Camanducaia

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