Baixa remuneração afasta médicos de consórcio de saúde
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de julho de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - A baixa remuneração oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem feito com que os médicos não se interessem pelo credenciamento junto ao Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná (Cisop). Quem sofre com a situação são os pacientes que não possuem plano de saúde e dependem de atendimento público. Algumas pessoas chegam a ficar um ano na fila de espera por uma consulta com especialista.
O presidente do Cisop, Raul Pazete, explica que o SUS paga R$ 2,55 por consulta, enquanto o Consórcio cobre a diferença até R$ 6,25. ''Ninguém quer trabalhar pelo preço oferecido'', ressalta. Ele revela que em algumas áreas os especialistas só atendem consulta particular. No momento, existem vagas para pneumologista, neurologista, neuropediatra, cardiologista, angiologista e dermatologista.
Pazete acrescenta que o Cisop está aguardando a nova tabela do SUS, que foi corrigida. Com a revisão dos valores, os médicos começarão a receber R$ 10,00, por consulta. Ele concorda que a baixa remuneração é o principal problema do Centro Regional de Especialidade (CRE), que atende 25 municípios da região. Cerca de 142 mil pessoas estão cadastradas no sistema do centro. Mais de mil pacientes são atendidos todos os dias.
Segundo o presidente do Cisop, a situação mais preocupante envolve as cirurgias eletivas. Neste caso, o paciente precisa esperar até mais de um ano para ser atendido. Ele explica que os municípios têm uma cota de Autorização de Internamento Hospitalar (AIH), que geralmente não sobra para as cirurgias eletivas. Somente em Cascavel, existem cerca de 2 mil pessoas na fila de espera por uma cirurgia.
Atualmente o CRE possui 76 médicos, para um total de 18.656 consultas mensais, dando uma média de 245 atendimentos para cada especialista. Pazete informa que cada município tem sua cota de consultas. Cascavel fica com 52% do total de consultas, enquanto os demais 24 municípios dividem 48%.
O aposentado Raimundo Nogueira estava ontem esperando que sua esposa fosse atendida no CRE. Ele diz que há mais de cinco meses a esposa aguarda uma consulta com um neurologista. ''Acho que eles deveriam colocar mais médicos para o povo. A gente que não tem como pagar, precisa esperar. Não tem jeito'', lamenta.


