Quase 17 mil pessoas, ou 48% do público-alvo de Londrina, ainda não foram vacinados contra a gripe. Do total, pelo menos 8 mil são crianças de 2 a 5 anos. O alerta é da enfermeira técnica da Coordenação de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Michele Patrícia Amadeu, que credita a baixa procura à desconfiança sobre a eficácia da imunização no caso de adultos. Em relação às crianças, segundo ela, muitas vezes os pais esperam os filhos se recuperarem do resfriado ou outras doenças respiratórias para então levá-los para vacinar.
"No entanto, o que eles precisam entender é que essa vacinação é fundamental para evitar casos de gripe, inclusive a temida H1NI. Não é porque nosso inverno não é tão rigoroso que as pessoas não precisam se vacinar. Pessoas com hipertensão, hepatite, com problemas renais, obesas e crianças com menos de cinco anos, por exemplo, podem ter complicações se não vacinadas", enfatiza. A campanha contra a influenza foi prorrogada até o dia 19 deste mês, com o objetivo de alcançar 100% de indígenas, mulheres até 45 dias depois do parto, crianças de até cinco anos de idade e doentes crônicos.

Interrupção
Outro fator que teria contribuído para essa baixa procura, segundo Michele, é a interrupção do contrato da prefeitura com os agentes comunitários de saúde que, do dia 16 de junho ao dia 9 de julho deixaram de realizar as visitas domiciliares, verificando a carteira de vacinação das crianças e orientando os pais.
Ela destaca que a interrupção das atividades acabou interferindo também no alcance da meta de 100% crianças de até 5 anos imunizadas contra a poliomelite. Atualmente, 4,6 mil crianças ainda não foram vacinadas. A meta é alcançar 30 mil também até o dia 19.
Ontem, os novos agentes aprovados no concurso do município iniciaram as visitas nas casas. A empregada doméstica Maria Aparecida Proença Amadeu e a neta Tayla Sofia, de 11 meses, moradoras do Jardim Califórnia (zona leste), receberam a visita da agente Adriane Mary Isidoro do Nascimento, da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Eldorado.
Maria relata que procura manter sempre em dia a carteira de vacinação de Tayla. "Ela já tomou a de poliomelite e a de gripe, está tudo completo", garante a avó. "As vacinas são de graça e previnem muitas doenças, não custa nada fazermos isso por eles. Como responsáveis é nossa obrigação", salienta.
"Eu achei que já tivesse acabado a campanha de vacinação e por isso não tinha levado minha filha, mas depois que veio um agente aqui em junho e me orientou, ela tomou tanto contra a gripe quanto contra de poliomelite", comenta a dona de casa Fernanda Pereira, moradora do Jardim, Nova Conquista, mãe de Letícia Ramos, de 2.
Apesar de já ter sido imunizado contra a poliomelite, Benjamin Lucas de Oliveira, de 7 meses, ainda não havia sido vacinado contra a gripe. E foi ao levá-lo para fazer inalação na Unidade Básica de Saúde da Vila Brasil (área central) ontem, que a mãe Natália Cardoso Barbosa descobriu que a campanha não havia sido encerrada e aproveitou para vacinar o bebê. "Agora ele tomou e eu estou bem mais aliviada", completa.
Além das visitas domiciliares com busca ativa por crianças ainda não imunizadas contra gripe e poliomelite, os agentes continuarão ligando nas casas das famílias cadastradas na UBSs e solicitando que os pais levem as crianças até o dia o dia 19 de julho.
Segundo a diretora geral da Secretaria de Saúde, Valéria Barbosa, dos 200 agentes aprovados no último concurso para atuarem nas UBS, 50 ainda não assumiram e continuarão sendo chamados. No entanto, ela afirma que não vê a ausência dos agentes comunitários de saúde nos postos como um fator de interferência nas campanhas de vacinação de imunização, pois os auxiliares de enfermagem e enfermeiros estavam realizando as visitas.

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