O aumento de mendigos e andarilhos nas ruas de Londrina e a demora na organização do campanha ‘‘Noite Fria’’ preocuparam a Pastoral de Migrantes do Jardim Cambé e a Associação de Moradores do Conjunto Aquiles Stenghel (zona sul). Representantes dos dois grupos procuraram a Folha denunciando que havia informações da desativação do Programa de Atendimento à População de Rua, mantido pela Prefeitura. As lideranças comunitárias diziam que, com o fim do programa, o campanha ‘‘Noite Fria’’ também poderia deixar de ser realizado.
‘‘Essas pessoas já estão abandonadas por todos. O poder público não pode se isentar também. O programa de atendimento à população de rua foi um dos que trouxe melhor resultado ’’, avalia a presidente da Pastoral dos Migrantes do Jardim Cambé, Maria Anideje de Mello. O programa desenvolve um trabalho de abordagem e orientação para tratamento médico ou outros atendimentos sociais de mendigos, andarilhos e migrantes. Essas atividades incluem a campanha ‘‘Noite Fria’’ que envolve as instituições como a Provopar, Albergue Noturno, Bom Samaritano, SOS e voluntários na abordagem noturna da população de rua.
Acionado sempre a partir de 1º de junho, o objetivo da campanha é evitar que as pessoas corram risco de vida em decorrência do frio. Até a administração passada, os grupos trabalhavam durante a noite, abordando aqueles que estavam dormindo nas ruas. Faziam o encaminhamento da pessoa para o pernoite em uma das instituições. ‘‘Até agora não houve nenhuma iniciativa para organizar os voluntários ou dar meios para levar os mendigos até as instituições’’, diz Maria Anideje.
A vice-presidente da Associação de Moradores do Conjunto Aquiles Stenghel, Rosicler Moreira Fonseca, diz que a situação pode se agravar. Segundo ela, a Secretaria Municipal de Ação Social estaria desativando outros projetos importantes para a comunidade implantados na administração anterior. A líder de bairro diz que as administrações não se preocupam com os interesses da população.
‘‘Cada governo que entra muda tudo. Acaba até com o que está dando certo, movido apenas por interesses políticos. Não se preocupa em saber que quem sofre com a interrupção é a comunidade que precisa do serviço’’, critica Rosicler Fonseca. Ela defende que a comunidade se mobilize para manter os programas sociais comprovadamente eficientes.
(Célia Baroni)

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