Bairros são ameaçados por voçorocas
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sábado, 10 de outubro de 1998
Vânia MoreiraVânia Moreira 
A chuva dos últimos dias agravou os problemas de erosão em Umuarama e está causando transtornos para moradores dos bairros mais pobres e sem-infra-estrutura. Em cerca de 10 deles, a maioria das ruas está intransitável.
Em algumas ruas, as enxurradas abriram valetas de quase um metro de profundidade, isolando a entrada das casas. Para sair, os moradores são obrigados a pular o muro de vizinhos ou improvisar pinguelas sobre as voçorocas. Quem tem carro precisa deixar na casa de parentes ou amigos.
Vânia MoreirsaNo Conjunto Ouro Branco, a casa do desempregado José Palhão, 38 anos, está à beira de um buraco que não para de aumentar. Toda vez que chove muito aparecem estas valetas, diz.
Mas os moradores já viveram situação pior. Há dois anos, uma voçoroca destruiu uma rua e parte de algumas casas no bairro, construído num terreno em declive. Favelas que surgiram perto de riachos também estão em permanente risco. Durante as chuvas de maio, foi preciso retirar seis famílias de barracos engolidos pela erosão.
A prefeitura já perdeu a conta de quantas pontes teve de reconstruir. No momento, três delas estão em construção a um custo de R$ 300 mil. A ponte ligando os bairros Laranjeiras e Petrópolis e o aterro entre os jardins Panorama e Social cairam durante as chuvas de abril.
A outra ponte em construção, ligando o bairro São Cristóvão à PR-323, caiu há mais de cinco anos. Como as pontes, muitas outras obras de infra-estrutura urbana acabam destruídas e reconstruídas várias vezes. Segundo o prefeito Fernando Scanavaca (PPB), é impossível calcular os prejuízos da erosão provocada pelo excesso de chuva. São milhares de valetas em ruas de leito natural, buracos no asfalto, obras de controle de erosão e de pavimentação que se perdem e precisam ser refeitos.
O município tem de mobilizar todo o maquinário e pessoal do setor rodoviário e contratar diaristas para recuperar os estragos. São cinco pás-carregadeiras, cinco motoniveladoras e 4 caminhões para atender todo o município. Em muitos pontos, só é possível consertar os estragos depois que pára de chover.
Scanavaca lembra que Umuarama sempre vai ter problemas de erosão por causa do solo arenoso, mas salienta que a situação crítica atual é resultado da falta de planejamento. Vários bairrros foram construídos em lugares impróprios sem obra de infra-estrutura. Existem mais de 10 bairros sem galerias pluvais e sem asfalto, essenciais para conter a erosão. Quem implantou conjuntos habitacionais no passado não se preocupou com galerias de águas pluviais, asfalto, meio-fio. Quando era para fazer casas populares a prefeitura aprovava o terreno e pronto. Nem o município cumpria o que a lei exige, reclama o prefeito.


