Bairros querem locais para velório
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quinta-feira, 03 de julho de 1997
Da Redação 
Uma das principais reivindicações que chegam até a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) é a construção de capelas mortuárias nos bairros. A demanda foi identificada através de uma pesquisa da Acesf junto aos usuários do serviço.
Quando alguém vai retirar a certidão de óbito de parentes, a autarquia solicita que a pessoa responda a um questionário avaliando o atendimento. O número de pedidos de novas capelas mortuárias surpreende, mostrando uma demanda represada e uma mudança cultural, comenta o superintendente da Acesf, Gustavo Gomes dos Santos.
Ele explica que até recentemente as famílias davam preferência por velar seus mortos em casa. A comodidade de poder receber parentes e amigos com tranquilidade, sem ter a privacidade invadida, acabou conquistando a comunidade. A única reclamação é a dificuldade do acesso às capelas mortuárias, acredita. Santos diz que a Cidade conta com o serviço em apenas três lugares: no cemitério Jardim da Saudade (zona norte), na avenida Juscelino Kubitschek e no cemitério João XXIII (área central).
Mesmo com a demanda indicada pela pesquisa, a Acesf só tem registrados dois pedidos oficiais para construção de capelas: um da associação de moradores do Jardim Ideal (zona leste) e outro do distrito de Guaravera (zona sul). Nos dois casos, a mobilização da comunidade começou quando as igrejas do bairro e do distrito proibiram velórios nos salões paroquiais. Os padres alegam que os velórios são incompatíveis com as atividades regulares da igreja (catequese, cursos e reuniões).
O presidente da associação dos moradores do Jardim Ideal, Moisés dos Santos, diz que a comunidade vem lutando para conseguir a obra há cinco anos. Mas a Prefeitura nunca tem recursos. Agora estamos decididos a arregaçar as mangas para garantir a nossa capela. Ele conta que as casas dos moradores são pequenas e não comportam velórios. Há pouco tempo houve dois velórios aqui no bairro, em dia chuvoso. As pessoas ficavam do lado de fora, naquele desconforto, diz Moisés.
Na manhã de sábado, representantes da região do Jardim Ideal e da Acesf participam de uma reunião no Mercadão do Povo, a fim de discutir uma parceria para a construção da capela mortuária.
A construção da capela mortuária de Guaravera também deverá ser viabilizada por parceria entre a Prefeitura e a comunidade. Os moradores do distrito já começaram a se organizar para obter recursos e comprar o material necessário, que custaria cerca de R$ 12 mil. Desde que a igreja local proibiu velórios no salão paroquial, a comunidade tem velado os parentes em casa ou na sede da Associação dos Produtores de Guaravera. Vamos fazer várias promoções para conseguir levantar o dinheir. A comunidade está empenhada, afirma o subprefeito de Guaravera, Arthur Franco.
(Célia Baroni)


