Bairros querem apagar fama de violentos
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terça-feira, 02 de setembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os seis mil moradores dos jardins João Turquino e Maracanã, na zona oeste de Londrina, só esperam uma coisa da prefeitura: que as obras de revitalização dos dois bairros saiam do papel o mais breve possível. Eles apostam que, com isso, a fama de região violenta será sepultada de uma vez por todas. A Companhia de Habitação do município (Cohab-Ld) garante que as duas localidades serão beneficiadas com melhorias que exigirão investimentos de mais de R$ 4,7 milhões, recurso este conseguido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Asfalto e um atendimento público de saúde mais próximo de casa é quase tudo que a dona de casa Tatiane Martiniano de Melo, de 19 anos, precisa. Ela mora no João Turquino e seu filho Mateus, de apenas dois meses, não pode ficar exposto à poeira por causa de um problema que ele tem nas vias respiratórias. ''Mas como evitar isso morando aqui?'', lamenta. Outro problema provocado pela falta de asfalto que a mãe passou a sentir após dar à luz é que o carrinho do bebê não dá para ser usado. ''É terrível porque o meu filho fica sacolejando e pode se machucar.''
De frente para o terreno no Jardim Maracanã, onde será construído o posto de saúde 24 horas, o centro comunitário e o ginásio de esportes, mora há mais de três anos o agricultor desempregado José da Cruz Azevedo, 62 anos. Impedido de trabalhar por causa da hipertensão, ele recebeu a notícia com felicidade. Porém, calejado pelas habituais ''promessas não cumpridas da política'', ele disse que ''se as obras saírem vai ser ótimo''. Azevedo argumentou que mantém a desconfiança porque ''político só vai atrás do pobre quando tem eleição''.
Algumas ruas acima à do agricultor, mora o paisagista e florista Ricardo Sérgio da Silva, de 28 anos. Residindo no Maracanã há cinco anos, o rapaz, que por força da profissão descobriu a importância da cultura e da arte para a vida, lançou uma idéia em tom de apelo: fazer do centro comunitário um espaço onde os moradores crianças, jovens e adultos possam se expressar por meio daquilo que cada um sabe fazer. ''Isso é bom porque acalma as pessoas'', explicou. E com as melhorias previstas, ele espera que seu viveiro de plantas também seja mais visitado, pois atualmente a procura é muito baixa. ''Hoje a gente fica meio abandonado. Tentei montar um viveiro aqui mas é difícil do pessoal vir de fora para comprar'', lamentou.
O comerciante e uma liderança comunitária das duas comunidades, Aparecido Alves Júnior, 45 anos, comentou que a chegada das máquinas trarão de volta a cidadania e a auto-estima dos moradores. Ele prefere não comentar sobre a criminalidade na região mas espera que com a revitalização os moradores passem a se interessar ainda mais pelo local onde moram, pois sabe que nem todos os problemas serão resolvidos de uma só vez. ''Estamos esperando isso como se fosse ouro caindo do céu'', comparou.


