Bairros lutam juntos contra antenas
Moradores de quatro regiões de Maringá definiram ontem como serão as ações contra a instalação de antenas da telefonia celular na cidade. A primeira providência será cobrar da prefeitura uma postura, já que as empresas responsáveis pelas torres não têm alvará para a obra. Os moradores pretendem ainda pressionar os vereadores, que estão votando um projeto que regulamenta as áreas onde podem ser instaladas as antenas. Por último, na próxima semana as associações de seis bairros ingressam na Justiça com medida cautelar contra o Município e as empresas.
Entre os argumentos citados na medida, de acordo com o advogado Wilson Quinteiro, presidente da Associação de Defesa do Consumidor de Maringá (Adecom), estão os danos causados à saúde, a desvalorização dos imóveis, o risco de queda das torres, a interferência em eletrodomésticos, o ruído e a falta de adequação às leis de zoneamento urbano. O presidente da Associação de Moradores da Zona 2, Claudines Boer, diz que a lei complementar 46/94 rege a ocupação do solo urbano de Maringá e as antenas não se enquadram no que diz a legislação. A Zona 2 foi o primeiro bairro a impedir a instalação da antena.
Segundo levantamento realizado pela Adecom, existem 23 antenas erguidas ou em construção na cidade. Os moradores que conversaram com operários que trabalham na construção das estações, no entanto, têm informações que são mais de 40.
Ontem, moradores das áreas onde existem antenas em funcionamento confirmaram os danos a aparelhos eletrodomésticos, interferência em telefone e televisão, maior incidência de queda de raios e ruídos. Em Paiçandu (10 km a leste de Maringá), no último sábado, moradores impediram que operários iniciassem a instalação de uma antena. Se nada disso der resultado em 30 dias vamos ingressar com ação civil pública contra as antenas na área urbana, promete Quinteiro. A proposta da Adecom é de colocar as antenas a pelo menos 5 mil metros de moradias e criações.
A Procuradoria Geral da prefeitura de Maringá informou ontem que não existe nenhum pedido de informações sobre a instalação das antenas na cidade, e muito menos pendências jurídicas sobre o assunto. A Telepar Celular alega que as construções das estações de radiobase estão a cargo de empresas contratadas. A Folha tentou contato ontem com Marcos Doni, da NEC, uma das empresas responsáveis pela implantação das estações de celular na cidade, mas ele não estava no escritório em Maringá.Marcos NegriniPrecauçãoAdvogado Wilson Quinteiro, da Adecom, vai propor ação contra as antenas na área urbana de MaringáMarcos Zanatta





