Albari RosaÔnibus que serve ao Tatuquara, Região Metropolitana de Curitiba: área irregularBairros inteiros de Curitiba que já possuem infra-estrutura urbanística e equipamentos como escolas, postos de saúde e antipó continuam até hoje em situação irregular e permanecem classificados no Plano Diretor como regiões agrícolas. Levantamento feito pelo Ippuc em 95 revelou a existência de 137 áreas ocupadas irregularmente por loteamentos clandestinos na periferia, onde vivem 19.374 famílias ou cerca de cem mil pessoas.
Tentando conter o crescimento desenfreado da cidade nas décadas de 70 e 80, a prefeitura restringiu a liberação de novos loteamentos, principalmente na região denominada Zona Agrícola, considerada uma espécie de reserva da cidade. Essa política, segundo o vereador Jorge Samek, é responsável pela formação de um cinturão de pobreza em torno da capital e pela proliferação dos loteamentos clandestinos.
Na região do bairro Tatuquara, as vilas Pompéia e Dom Bosco, onde vivem quase 50 mil pessoas, permanecem irregulares e enquadradas como regiões agrícolas. Outros como a Vila Leão, que existe há mais de 20 anos e onde vivem 1.640 famílias, só agora estão sendo regularizadas. Cerca de 40 áreas ocupadas por loteamentos clandestinos estão em processo de regularização.
A prefeitura diz que os loteamentos irregulares são uma herança antiga de administrações anteriores. ‘‘Curitiba tem uma área muito pequena, e isso criou uma pressão que resultou nesses loteamentos’’, admite o presidente do Ippuc, Osvaldo Navarro. O Ippuc pretende reduzir as restrições para loteamentos, através da revisão da Lei de Uso do Solo. Nas regiões consideradas agrícolas, a área mínima exigida para a criação de loteamentos será reduzida de cinco mil metros quadrados para dois mil.
Shoppings - A construção de três shoppings - Curitiba, Crystal e Novo Batel II - também é apontada como exemplo de desrespeito aos princípios de planejamento urbano. Segundo a Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, os shoppings Crystal e Novo Batel não poderiam ter sido construídos em zona ZR-4, onde são proibidas construções comerciais com área superior a 10 mil metros quadrados. Quanto ao Shopping Curitiba, a promotoria exigia a apresentação de Relatório de Impacto Ambiental com estudo que previsse o impacto no fluxo de automóveis e pedestres na região.

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