Áureo Nogueira
Os jardins Império do Sol e São Tomas são bairros gêmeos que ocupam a colina do Ribeirão Quati, na zona norte de Londrina, na área de transição para a zona oeste. Próximos ao Autódromo Internacional Ayrton Senna e Estádio do Café, oferecem vista panorâmica do centro da cidade a praticamente todas as casas são amplas e bem projetadas - típicas de bairros de classe média. Mas os loteamentos gêmeos apresentam também muitos problemas, basicamente os mesmos de bairros periféricos: segurança, transporte coletivo, posto de saúde, escola, asfalto, água, luz.
Império do Sol e São Tomas já contam com redes elétrica e de água e quase todas as ruas são asfaltadas. Mas, de acordo com moradores, não pode ocorrer um relâmpago que a luz se apaga, a falta de agua é constante e a falta de pavimentação da Rua Aníbal Domingos Peres, que faz o limite com o Portal dos Ramos (bairro vizinho), provoca transtornos principalmente para os moradores da via e porque a enxurrada carrega pedras e terra.
A maior preocupação de moradores e comerciantes, entretanto, é a falta de segurança. Assaltos e arrombamentos são muito frequentes. ‘‘Ainda há muitos lotes a serem ocupados e o mato toma conta de quase tudo, inclusive das áreas públicas, facilitando a ação dos arrombadores. Além de que, apesar da rede elétrica, a iluminação pública é deficiente’’, diz o comerciante Valrides Moreira.
O comerciante destaca que a tensão é permanente. ‘‘Meu estabelecimento é o único que ainda não foi assaltado nem arrombado. Até já comentei com minha família que, mais dia menos dia, será a nossa vez. Como forma de prevenção, montei dois quartos e costumamos dormir na mercearia’’, conta, resignado.
Ainda que haja rede elétrica, as ruas são escuras, o que aumenta a sensação de insegurança. Principalmente para os que estudam à noite e precisam caminhar várias quadras entre o ponto de ônibus e a casa. ‘‘A gente só fica tranquila quando os filhos chegam em casa de volta da escola’’, conta a dona de casa Elisabeth Camargo da Silva, mãe de um rapaz e uma moça que estudam o 2º grau à noite. ‘‘É sempre um risco muito grande caminhar por essas ruas quase escuras e cercadas por mato.’
A falta de praças urbanizadas e de áreas públicas de uso comum, como escola e posto de saúde, é outra reclamação dos moradores. A única área de praça existente em cada bairro não dispõe de nenhuma infra-estrutura. O mato tomou conta e serve de esconderijo para ladrões e arrombadores. ‘‘É até compreensível que não haja escola e postos de saúde. Afinal, o bairro ainda é muito novo. Mas devia haver pelo menos praça de verdade e ônibus circulando o dia todo’’, reclama a dona de casa.
Os moradores reivindicam também a construção de uma ponte sobre o Ribeirão Quati. ‘‘Para quem vem do centro da cidade, o único acesso a estes bairros é pela Avenida Winston Churchill. Se houver uma ponte sobre o Quati, ligando a Rua Manoel Carlos Ferraz de Almeida à Avenida Brasília, teríamos uma interessante opção. Além de desafogar o tráfego, ficaria mais perto e mais fácil chegar ao centro da cidade’’, argumenta Val Moreira.
Mas, enquanto a ponte não é construída, a área marginal ao Ribeirão Quati serve de depósito de lixo e entulho. ‘‘Não somente moradores dos nossos bairros, mas também de outros lugares da cidade vêm depositar lixo, entulho, galhos de árvore, móveis imprestáveis. É lamentável’’, critica.
Para tomar ônibus, é necessário ter paciência ou caminhar dezenas de metros. A falta de ônibus preocupa principalmente os pais que têm filhos em idade escolar. Os pequenos, porque têm de andar cerca de 3 mil metros até a escola mais próxima, no Jardim Santiago (zona oeste), ou no Parque Ouro Verde (zona norte). Os maiores que estudam à noite, porque são obrigados a caminhar várias quadras e a iluminação pública é deficiente.
O ônibus só passa nos horários de maior demanda: até as 8 horas e entre as 11 e 13 horas e das 17 às 19 horas. Ainda assim para o Terminal do Parque Ouro Verde. ‘‘Se a Linha 502, que atende ao Conjunto Jardim das Américas, for estendida até o Conjunto Santiago, passando pelo Império do Sol e São Tomas, o problema estaria resolvido’’, destaca Elisabeth, acrescentando que os moradores já fizeram até abaixo-assinado, mas ainda não foram atendidos.
O aposentado Expedido Dutra não mora no bairro, mas já percebeu que há muitas necessidades e que o poder público não dá a atenção desejada. Dutra está construindo um sobrado na Rua Arcindo Sarno, para funcionar com comércio no térreo e residência no pavimento superior. ‘‘O bairro é excelente. Muito agradável, possui uma bela vista da cidade e a vizinhança é muito boa. Provavelmente venha morar aqui’’, disse o aposentado.
Mas ele criticou alguns órgãos públicos. ‘‘Os operários que trabalham na obra foram obrigados a desentupir uma boca-de-lobo, porque a Sanepar jogou a responsabilidade para a prefeitura. Depois de uma dúzia de telefonemas, uma equipe esteve aqui e disse que o problema não era deles’’, contou. ‘‘Acabei desistindo e pedi que os operários fizessem a limpeza. Mas a boca-de-lobo continua sem a tampa. Até já ocorreu de um ciclista cair aqui.’
O crescimento do bairro e necessidade de reivindicar melhoria estão despertando a consciência de cidadania. Os moradores começam a se organizar e já discutem a criação de uma associação de moradores. ‘‘Estamos localizados numa área entre as zonas norte e oeste. Talvez essa situação dificulte nossa representação política junto aos órgãos públicos. Mas já estamos nos mobilizando e vamos criar uma associação de moradores’’, revela o autônomo Marcos Garcia. De acordo com o autônomo, a dúvida é se criam uma entidade nova ou se aderem a uma das associações já existentes nos bairros vizinhos.A bela vista da cidade não ameniza a falta de infra-estrura dos jardins Império do Sol e São Tomas
Fotos: Josoé de CarvalhoPó e lamaA Rua Aníbal Domingos Peres é uma das poucas não pavimentadas, causa de muitas reclamações dos moradoresSujeiraLixo nos terrenos vazios: ‘importados’ de outros bairrosInsegurançaValrides Moreira: cama na mercearia

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