Bairros ganham autonomia
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Marian Trigueiros<br> Equipe da Folha 
Londrina - Com 74 anos de existência, Londrina vem registrando grande crescimento populacional frente a outras cidades mais antigas e, hoje, apresenta pouco mais de 500 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade é dividida em cinco grandes regiões, sendo que algumas delas chegam a ter mais habitantes que pequenos municípios. A Zona Norte, por exemplo, com 106 mil habitantes, possui mais moradores que a cidade de Arapongas, com 101 mil.
Esse crescimento faz que muitos bairros tenham um desenvolvimento significativo e passem a contar com uma estrutura que inclui escolas, hospitais, lojas de varejo e até mesmo agências bancárias. Essa expansão favorece a descentralização dos serviços, transforma bairros e, principalmente, as regiões, em pólos secundários fortalecendo sua autonomia.
Para a coordenadora do Plano Diretor de Londrina, Celina Ota, essa é uma tendência que deve favorecer a mobilidade das pessoas.''Com a oferta de serviços, os moradores vão precisar, cada vez menos, sair de sua região e enfrentar menos congestionamentos, por exemplo. Isso consequentemente, melhora a qualidade de vida da população'', comentou. O Plano Diretor propõem projetos que intensifiquem as atividades econômicas na região, ao mesmo tempo em que fortalece as áreas que já dispõem de uma centralização, normalmente próximas a algumas avenidas conhecidas.
A Avenida Saul Elkind (Norte) reúne várias características de um pólo secundário. São hospitais, escolas e comércio em geral que movimentam a economia local. Para o cabeleireiro Ademir Quixaba, que há seis anos mora no bairro Vivi Xavier, não existe lugar melhor. ''Logo que me mudei para Londrina, apenas trabalhava aqui, próximo à Saul Elkind. Quase um ano depois, comprei uma casa no Cinco Conjuntos e trouxe minha família de Foz do Iguaçu (Oeste)''.
Como trabalha e mora na região Norte, Quixaba pouco vai ao Centro. ''Chego a ficar mais de três meses sem ir ao Centro. Só mesmo quando acontece alguma emergência, ou preciso pagar alguma conta que o bancos daqui não recebem. Tenho tudo o que preciso'', garante.
O mesmo acontece com a operadora de equipamentos Simone Silva, que desde o sete anos de idade mora na Zona Norte. ''Fui criada, trabalho numa empresa localizada aqui, meu filho estuda em uma escola da região, minha família mora perto, e todos meus amigos também, ou seja, minha vida é aqui.'' Ela diz que já perdeu a conta de quanto tempo não vai ao Centro. ''Estou de folga e mesmo assim vou aproveitar o dia na Saul Elkind. Meu lazer é sair com a família para comer, aqui mesmo.''
Segundo o gerente de marketing da rede de mercados Super Muffato, Alexandre Hilário, a região dos Cinco Conjuntos foi a que mais cresceu na cidade. ''Fomos a primeira rede de varejo a apostar no Cinco Conjuntos. Além dos bairros das região, atendemos cidades vizinhas como Bela Vista do Paraíso e Warta'', disse. ''É uma população que tem potencial de compra e tem atendido as expectativas da rede''.


