Bairros da Zona Sul sofrem com roubo de fios
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Até pouco mais de um mês atrás, os moradores do Conjunto Roseiras e Jardim Monte Belo (Zona Sul) podiam fazer caminhadas até de noite, na pista existente no fundo de vale que divide os dois bairros. Agora, o local está uma escuridão só. O motivo é o mesmo que vem atingindo comunidades de várias outras regiões da cidade: o roubo de fios de cobre, utilizados para levar energia a postes e luminárias.
Além da pista de caminhada, o crime já atingiu a igreja em construção, o campo de futebol e o Centro Comunitário do Roseiras. Só neste último, o prejuízo foi de aproximadamente R$ 650,00, incluindo os gastos com mão-de-obra para instalação de novos fios. Ontem o morador Luiz Carlos de Almeida passou a tarde lacrando as tampas das caixas de entrada dos fios, na quadra do Centro Comunitário. ''Como recolocamos todos os fios, o jeito foi colocar concreto para impedir que os ladrões abram novamente as tampas'', explicou.
O concreto foi colocado também sobre a mangueira condutora de fios ligada ao relógio. Outra providência será manter o relógio próximo à rua permanentemente ligado. ''Assim, se alguém mexer nos fios, levará um choque de 220 volts. Assim acho que a gente consegue pegar os ladrões'', disse Almeida. Só na quadra, foram levados 220 metros de fios.
Segundo o morador, os roubos começaram pela pista de caminhada, que tem aproximadamente dois quilômetros. ''Em alguns pontos, até as luminárias foram retiradas.'' Para Almeida, o fato de alguns depósitos comprarem estes fios estimula o crime. ''Tem lugar por aí que paga até R$ 7,00 pelo quilo de fio.'' Almeida mora no bairro há 22 anos e diz que nunca tinham enfrentado este problema anteriormente. Dois boletins de ocorrência já foram registrados pelos moradores, mas até agora não há pistas dos ladrões.
Segundo dados da Copel, do início de 2003 até agora, a empresa teve um prejuízo de R$ 2,6 milhões com roubo de fios de cobre, alumínio e transformadores no Paraná. No Norte do Estado o prejuízo foi de R$ 270 mil, sendo que R$ 100 mil só em 2004.
O assunto é tão grave que no próximo dia 9 a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), em parceria com a Copel, vai realizar um seminário nacional em Curitiba sobre furto e fraude de energia e roubo de condutores e equipamentos. O objetivo principal é promover a troca de experiência entre os agentes do setor e estabelecer ações articuladas para, ao menos, reduzir as dimensões do problema.
''É importante ressaltar que o furto de materiais e equipamentos de um sistema de serviço público como o de energia elétrica, por exemplo, ultrapassa o mero prejuízo financeiro da reposição'', observou o diretor de distribuição da Copel, Rubens Ghilardi. ''Trata-se de uma questão social da maior gravidade, pois, da ação dos criminosos, podem resultar a interrupção no fornecimento de eletricidade a milhares de pessoas, por exemplo.''


