Bairros contabilizam prejuízos causados pela forte chuva
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Lucilia Okamura 
Casas destruídas, móveis quebrados, roupas e documentos perdidos e muita lama. Este era o cenário, ontem, em várias regiões de Londrina, atingida, na tarde anterior, por um forte temporal, que danificou casas, alagou ruas e causou duas mortes.
Ontem pela manhã, representantes da Companhia de Habitação (Cohab) estiveram no Conjunto Violim (zona norte) para contabilizar os prejuízos e acionar a seguradora. As Ruas Severino Santini e Garça Real, que são paralelas, foram umas das mais atingidas pelo temporal. Pelo menos 10 casas ficaram danificadas.
Segundo os moradores do local, toda vez que chove as casas que ficam em uma baixada são alagadas. Nos últimos três anos, eles enfrentaram pelo menos duas fortes chuvas que causaram grandes estragos. Mas desta vez foi pior, afirma a empregada doméstica Veronice Goiano, moradora da casa número 403, na rua Garça Real. Ela teve vários móveis destruídos pela chuva e a parede dos fundos da casa ruiu.
Na hora da chuva, eu estava na cozinha. Meu filho Everton (7 anos) gritou dizendo para sair porque a água estava invadindo a casa, relata. Também estava na casa outro filho dela, Edson, de 14 anos. Ela conta que paga uma prestação de R$ 27,00 pela casa de quatro cômodos. Mas a família não pretende voltar a morar lá. Agora, toda vez que chover, vou ficar com medo.
A casa localizada nos fundos do terreno de Veronice também ficou parcialmente destruída. Uma das paredes e todo o telhado cedeu. Ficamos sem nada, comenta, desolado, o pedreiro Jurandir Lino Ramos. O pedreiro conta que tentou salvar alguns móveis, mas não teve sucesso. Vi a cama, o fogão e outras coisas boiando na água.
Segundo ele, a água invadiu a casa e subiu até um metro. A parede acabou caindo sobre o telhado da residência de Júlio César da Silva. Moro aqui há 17 anos e não é a primeira vez que isso acontece, diz, conformado.
Quem não está nada conformada é a professora Patrícia Luciano da Silva, moradora da Rua Severino Santini (paralela à Rua Garça Real). Nervosa e chorando muito, ela conta que só deu tempo de sair correndo para a rua antes da chuva invadir a casa. Minha bolsa, com documentos pessoais e R$ 200 foi levada pela água. Ela mora com o marido Vando da Silva na casa há três meses. Pretendia comprar a casa no final do ano, mas agora não quero mais voltar para cá. Vou juntar o que posso e sair daqui. Minha vida virou do avesso e quero saber quem vai se responsabilizar pelas coisas que eu perdi.


