Barro, poeira, buracos e pedras. Essa é a situação das ruas no Jardim Santa Maria, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), onde existem cerca de 200 chácaras residenciais. Os proprietários e moradores reclamam há anos da falta de asfalto e de galerias pluviais, que tornam o trânsito de veículos impraticável, principalmente quando chove. Um dos proprietários mais antigos do loteamento, o aposentado portuário Elídio Graça Correia, 64 anos, conta que já foram feitas várias tentativas junto à prefeitura de Cambé, mas a falta de infra-estrutura continua. ‘‘Houve negociações, mas a prefeitura apresentou um prazo muito apertado de pagamento. Teríamos que pagar as benfeitorias em 4 ou 8 parcelas. Isso é quase impossível para a maioria dos proprietários’’, reclama Correia.
O presidente da Associação de Proprietários de Chácaras do Loteamento Santa Maria (Assopro), Edson Ridão, explica que o loteamento já foi atestado como área residencial e, portanto, tem que receber toda a infra-estrutura da zona urbana. Segundo Ridão, os moradores precisam da pavimentação pelo menos da rua principal, que tem mil metros de extensão.
A vida dos estudantes também não é fácil. A escola de ensino fundamental mais próxima fica a cerca de três quilômetros e os estudantes têm que andar longos trechos a pé até um ponto de ônibus. ‘‘A criança tem que levar dois calçados para ir à escola em dia de chuva’’, diz o vigilante Roberto Teixeira Leite, 34 anos, morador do bairro há seis anos. ‘‘Se está seco a gente tem que desviar dos buracos e quando chove fica ilhado’’, protesta o estudante Cássio Alexandre da Silva, 20 anos. Segundo os moradores, a iluminação das ruas também é precária. A dona de casa Maria Teresa Nobre, 63 anos, diz que a situação fica mais complicada quando alguém fica doente nos dias de chuva. ‘‘A ambulância não desce até aqui embaixo. Teve doente que teve que ser levado nas costas.’’
O secretário municipal de Planejamento, Mário Vander Martins Roberto, explica que a pavimentação do Jardim Santa Maria não foi feita ainda porque o loteamento não se enquadra nas linhas de financiamento dos bairros populares. As chácaras são residenciais mas consideradas de recreio, o que dificulta o preço acessível e prazos longos para pagamento do asfalto. ‘‘Entendemos que alguns moradores têm poucos recursos. Assim que a prefeitura conseguir um financiamento que se adapte às condições e recursos dos proprietários, executaremos as obras. Se pudermos, daremos prazo de um, cinco ou 10 anos para pagamento’’, esclarece. Segundo o secretário, a pavimentação da avenida principal deve ficar em torno de R$ 170 mil.

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