Bairro sofre com esgoto a céu aberto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de abril de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Sid SauerCrianças brincam na rua com a água despejada pelo esgotoBARBOSA FERRAZ - O terreno pedregoso e cheio de minas de água, que inviabiliza a construção de fossas sépticas, obriga moradores do Conjunto das Viúvas, em Barbosa Ferraz (74 quilômetros a leste de Campo Mourão), a conviver há nove anos com o esgoto correndo a céu aberto por ruas e quintais. Crianças brincando em poças de esgoto é cena comum no bairro. O conjunto tem 60 casas, mas algumas nem contam com fossas devido a existência de pedras no solo.
Mesmo onde existem as fossas, o problema é grave. Como elas são rasas e minam água, enchem com facilidade. Porém, os moradores já se acostumaram com fossas que transbordam toda semana. Para piorar, a declividade do terreno faz com que esgoto forme enxurradas, percorra toda a área e chegue até as ruas.
A situação piora nos dias de chuva, diz a dona-de-casa Ângela Maria Martins, 24, que mora no conjunto desde 1988. As fossas enchem rapidamente e começam a vazar. Para tentar amenizar o problema, a prefeitura contrata caminhões-fossa em São Pedro do Ivaí. Não vencemos o serviço, reclama a prefeita Elza Marques Gonçalves (PDT). Para cada fossa esvaziada, o caminhão cobra R$ 40,00. Só uma rede de esgoto resolveria o problema.
A aposentada Ana Ferreira de Jesus, 57, conta que tem vontade de deixar o conjunto, mas não consegue vender a casa. Esse mau cheiro me deixa com dor de cabeça, conta ela. Outro aposentado do bairro, João Pereira dos Santos, 75, se queixa de mal estar provocado pelo odor. A catinga dá um jeito ruim na gente, frisa. Mas não podemos fazer nada. O Conjunto Barbosa Ferraz, com 93 casas, existente ao lado, sofre, em proporções menores, o mesmo problema.
Caro O gerente regional da Sanepar em Campo Mourão, Carlos Roberto Pinto, diz que a companhia está tentando viabilizar recursos do governo federal para construção da rede de esgoto na cidade. Já pedimos R$ 2 milhões para a obra, destaca. O dinheiro seria suficiente para solucionar o caso nos dois conjuntos e também implantar a rede em grande parte da cidade. No Conjunto dos Viúvas, parte da rede está pronta, mas faltam os emissários e a estação de tratamento.
O mais caro ainda tem que ser feito, explica Pinto. Além disso, o custo da construção aumenta devido o solo ser cheio de rochas. A parte já concluída da rede foi feita há cerca de três anos num convênio que envolveu a Sanepar e a prefeitura. A intenção foi adiantar o serviço, conta. A mesma proposta deve ser apresentada à atual administração para ampliar a rede e facilitar os trabalhos quando os recursos maiores forem liberados.
Ligações clandestinas A dificuldade em se construir fossas sépticas devido ao solo cheio de pedras e a inexistência de rede de esgoto também estão causando problemas na área central de Barbosa Ferraz. Sem conseguir abrir fossas, os moradores acabam optando por fazer ligações clandestinas na rede de galerias pluviais. Azar do Rio das Lontras que, além da água das chuvas, recebe parte do esgoto da cidade.
A situação obrigou a prefeitura a lacrar várias bocas-de-lobo do perímetro central. Não havia quem aguentasse o mau cheiro, conta a prefeita Elza Marques Gonçalves (PDT). Na semana passada, ela levou funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) para conhecer o problema. Vou tentar sensibilizar a Sanepar através de um laudo ambiental.


