Kraw PenasMario Oliveira, com o taco: ‘‘Se entrar para me lesar vai morrer’’Dimitri do Valle
Moradores do bairro São Francisco, em Curitiba, pedem mais policiamento para coibir a onda de assaltos e o tráfico de drogas. Na próxima quarta-feira, eles se reúnem com representantes da Prefeitura e da Polícia Militar para expor a situação. Em nota à imprensa, uma comissão de moradores que está organizando o encontro destaca que ‘‘não é mais possível andar nas ruas da região, especialmente na rua Paula Gomes (que parece ser o foco dos marginais)’’.
Assaltado cinco vezes num período de quatro anos, o comerciante Mario Gonçalves de Oliveira resolveu radicalizar. Para tentar se defender de novas ações dos ladrões contra sua banca de revistas, Oliveira carrega um revólver calibre 38 na cintura. Ele tem ainda à disposição um taco de beisebol, que fica escondido atrás do balcão. ‘‘Se entrar para me lesar vai morrer. Não aguento mais’’, avisa.
Marcelo AlmeidaRogério Borges, que mora no mocó: ‘É gente de fora que vem assaltar’Oliveira diz que uma pensão e um terreno baldio são redutos de traficantes na rua Paula Gomes. O comerciante afirma que um padre, que fornece comida para mendigos, ‘‘acaba atraindo bandido’’. Ele responsabiliza ainda outro comerciante da área que vende cachaça a R$ 0,01 e também serve como chamariz dos marginais. ‘‘Sei que constitucionalmente é difícil impedir o padre e o comerciante, mas se a polícia fizer campanha na pensão e no terreno pode ter solução’’, acha.
A funcionária de um escritório contábil, Juscilene dos Santos, diz que adultos e menores agem em bando no bairro para assaltar mulheres e idosos. Juscilene diz que já foi atacada por um homem que tentou agarrá-la. Conseguiu se livrar, atingindo o corpo do desconhecido com uma canetada. Os horários de maior incidência de casos de assalto são três: 8 horas, por volta do meio-dia e depois das 18 horas. ‘‘Há mais de um ano existe este problema’’, reclama Juscilene.
O chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Henrique de Sampaio Filho, disse que os casos no São Francisco não são ‘‘alarmantes’’. ‘‘O problema é igual ao resto da cidade. O que acontece é que muitas ocorrências não são comunicadas, dificultando o nosso trabalho’’, diz.

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