Bairro reclama de obra parada
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
Marcos NegriniTubos para canalização do córrego estão no local há mais de um ano; obra parada pela 3ª vezMoradores da Vila Bosque, em Maringá, disseram ontem que a prefeitura paralisou mais uma vez as obras de canalização do córrego Moscados. Pela terceira vez nos últimos dois anos a prefeitura veio aqui com máquinas prometendo acabar com a erosão e agora tudo está parado novamente, diz a dona-de-casa Lídia Agostini, que mora no bairro há 30 anos.
O trecho do córrego Moscados que corta a Vila Bosque recebe águas pluviais das avenidas em torno do Parque do Ingá e parte da Vila Operária. Em dias de chuva mais forte, o leito do córrego chega a subir até dois metros, agravando a erosão.
A moradora Odete de Almeida Silva lembra que quando comprou o imóvel onde mora, há 12 anos, o terreno tinha 580 metros quadrados. Hoje o lote só tem cerca de 450 metros. A voçocora já derrubou os muros de todos os terrenos da rua Jaracatiá, e agora ameaça algumas casas, reclama.
A vendedora Eunice Santana, que mora no bairro há mais de 15 anos, conta que a cada dois meses máquinas e homens trabalham no local. Ela diz que no ano passado a prefeitura derrubou as árvores das margens do outro lado do rio, o que intensificou a erosão.
Eunice reclama que, sem canalizar o córrego, em alguns trechos a água fica parada, aumentando a presença de vetores, principalmente pernilongos. Tudo isso não é nada perto do risco da gente cair dentro desse buraco, que tem mais de 10 metros de profundidade, avisa.
As obras de canalização do córrego Moscados foram iniciadas há dois anos, através de um convênio entre o município e a secretaria de Meio Ambiente do Estado. Na época foram colocados apenas os tubulões, com cerca de dois metros de diâmetro, nas margens do córrego. No início do mês, o Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação (Saop) iniciou a escavação das margens do córrego para instalar os tubulões.
O presidente do Saop, Ivo de Barros, não foi localizado ontem pela Folha. A promessa do Saop, segundo funcionários do órgão, é de concluir a canalização do córrego em no máximo três meses. Serão investidos R$ 300 mil e instalados 315 metros de tubulação. Em seguida toda a área afetada será aterrada, beneficiando cerca de 150 famílias que moram no trecho. Com o aterro, a intenção da prefeitura é fazer a ligação da Vila Bosque com a Vila Operária, através da avenida Monteiro Lobato.


