Bairro reclama da demora para entrega de posto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Lúcio Horta 
Os moradores do Jardim Armindo Guazzi, zona leste de Londrina, estão desde o final de 1995 ansiosos por uma obra que parece não terminar nunca: o posto de saúde do bairro, que começou a ser construído ainda na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), mas que até agora não entrou em funcionamento. Na época avaliado em quase R$ 150 mil, o prédio já foi alvo de vandalismo e motivou diversos protestos de moradores, que não entendem o motivo de tanta demora para a sua ativação.
Para nós, o posto sempre faz falta. Quando a gente fica doente tem que ir até o posto do Ernani Moura Lima (distante cerca de 1,5 quilômetro), que é apertado e tem pouco espaço. Tem gente que chega lá às 5 horas para ser atendido. Tem também o HU (Hospital Universitário), mas quando a gente chega lá eles pedem para procurar o postinho. Então era melhor que tivesse este aqui funcionando, afirmou Renato Belle de Sá, que tem uma borracharia em frente ao posto fechado.
Paulo WolfgangLonga esperaNo PS do Ernani, para conseguir atendimento tem que chegar cedoMinha mulher tem hipertensão e está sempre precisando de médico. O jeito é procurar o posto lá embaixo, no Ernani, para fazer consulta. Mas o posto lá é mesmo muito acanhado, disse Natanael de Souza, que mora a uma quadra do posto. Para os dois, a demora na conclusão da unidade só tem uma explicação: problema político.
O povo botou na cabeça que isso é um jogo político. Porque já era para o posto estar funcionando. O PAI (Pronto Atendimento Infantil), por exemplo, começou muito depois e terminou muito mais rápido. E isso aqui já está há mais de cinco anos assim, afirmou Renato de Sá.
Débora Correa da Silva, que mora há oito anos no bairro, numa casa próxima ao posto, lembra que nas últimas eleições - para governador, senador e deputado -, o prefeito Antonio Belinati (sem partido) prometeu que em 120 dias o posto seria finalmente entregue à comunidade. Mas já faz um tempão que ele falou e nada. Quando a gente fica doente tem mesmo que ir lá para o Ernani, lamenta.
A enfermeira Joseli Sgarione, coordenadora do posto do Ernani Moura Lima, confirma que a quantidade de pacientes do Armindo Guazzi que procura a unidade diariamente é muito grande. Os números são expressivos: em abril, no geral (contando pacientes de todos os bairros), foram realizados 1,7 mil atendimentos na enfermagem, 661 consultas com médicos e outros 23 atendimentos de urgência. Todo mundo vem para cá, diz.
Sgarione informa que o novo posto deverá ter mais médicos, incluindo pediatras e ginecologistas, e absorverá a demanda não só do Guazzi como também do Giovani Lunardelli, Guilherme Pires e Amazonas 1 e 2. Ao mesmo tempo, poderá desafogar o posto do Ernani, que hoje atende a pelo menos 19 conjuntos habitacionais.


