James Alberti
De Curitiba
O impasse sobre a construção de uma trincheira na saída do bairro Santo Inácio, em Curitiba, para a BR-277 terá um novo capítulo na próxima semana. Os moradores do bairro estão organizando uma reunião com autoridades para segunda-feira e exigem solução imediata. Há quatro meses um encontro semelhante rendeu uma promessa, que não saiu do papel. O trevo dá acesso à Universidade Tuiuti e às Faculdades Integradas Espírita e tem provocado inúmeros acidentes e congestionamentos. Pelos cálculo dos moradores, cerca de cinco mil carros passam diarimente pelo trevo.
Apesar da organização da comunidade, a construção da trincheria nunca esteve tão longe da realidade. A assessoria de comunicação da Rodonorte, empresa que administra o trecho da BR-277 onde está o trevo, revelou ontem que não há previsão de investimentos na rodovia. Nem na trincheira nem em nenhuma outra obra. Conforme a assessoria, no cronograma original, que teria sido elaborado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a construção da trincheira estava prevista para o 12º ano de concessão. Ou seja, para daqui a 10 anos. Com a redução do preço do pedágio imposta pelo governo estadual, em julho do ano passado, o DER teria feito um novo cronograma no qual, segundo a assessoria, a obra foi cancelada. O diretor do DER, Paulinho Dalmaz, afirmou, porém, que governo estadual e Rodonorte estariam estudando a construção da trincheira como uma prioridade. ‘‘Existe uma preocupação grande com aquele cruzamento’’, disse.
Conforme o presidente da Associação dos Moradores do bairro, Marcelo Lunardon, os problemas com o trevo já dura há quase dez anos. Neste período, 12 moradores do bairro, todos seus conhecidos, teriam morrido por causa de acidentes e atropelamentos. Segundo Lunardon, recursos para a construção da trincheira teriam sido liberados pelo governo Federal há cerca de dois anos. ‘‘A gente não sabe se é lenda ou não’’, disse. O diretor DER, porém, negou que o dinheiro tenha sido enviado pelo governo Federal. Conforme Dalmaz, os recursos podem ter constado no orçamento da União, mas jamais foram liberados. ‘‘Nunca assinamos nenhum tipo de contrato para a construção dessa trincheira’’, afirmou.
Para tentar apressar uma solução, os moradores sugerem a construção de duas lombadas eletrônicas e de uma rotatória na rodovia. Dalmaz disse, no entanto, que qualquer solução deve ser estudada tecnicamente, o que não foi o caso. Para o diretor do DER, construir a rótula significaria privilegiar poucos motoristas, os do bairro, em detrimento ao prejuízo de muitos, os que passam pela BR-277. Tanto Dalmaz quanto a assessoria da Rodonorte informaram não terem sido convidados, até ontem, para participar da reunião.

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