Uma comissão de moradores dos jardins Damasco, Glória, Panorama, Vila Ricardo e Morumbi, todos da região leste de Londrina, esteve reunida ontem de manhã com o presidente da Companhia de Habitação (Cohab), Wilson Mandelli, para pedir providências em relação a uma ocupação irregular no Jardim San Rafael. Os moradores querem que a área seja desocupada o mais rápido possível. O vereador Célio Guergoletto (PMDB) acompanhou o grupo.
Ordelino Ribeiro Santos, morador há 30 anos do Jardim Damasco, comentou que a invasão começou há quase um ano e chegou a reunir mais de 100 famílias. Ele defende que as famílias devem sair do local porque trata-se de área de fundo de vale. O morador lembra ainda que, antes da ocupação, o lugar servia de ‘‘lixão’’.
‘‘Foi feito até projeto na época do (ex-prefeito Luiz Eduardo) Cheida. Só que depois não foi feito nada e ocorreu a invasão’’, recorda Ordelino Santos. ‘‘Agora estão acabando com tudo. Estão depredrando, derrubando árvores’.’
Wilson Mandelli informou aos moradores que a Cohab já começou um trabalho visando a desocupação da área invadida. Vinte e uma famílias que estavam no local já foram transferidas e ontem mesmo a companhia estava fazendo um novo cadastrando no local e derrubando os barracos vazios. A idéia é encaminhar somente os casos de pessoas sem moradia; quem estiver tentando especular lotes, poderá ser denunciado na polícia. ‘‘Quanto ao carentes, a Cohab vai negociar para removê-los para outro local. Não vamos jogar nenhuma família na rua’’, garantiu Mandelli.
Segundo Humberto Rodrigues Lima, assessor social da Cohab, no último levantamento havia no local aproximadamente 90 famílias. Agora, a área não pode receber novas famílias. Lima observou ainda que o trabalho realizado ontem é de rotina e a expectativa da companhia é que as famílias sejam transferidas o mais rápido possível.
‘‘Eu acho que eles deviam deixar a gente aqui porque gente precisa. Aqui antes era uma quiçaça, tinha muito lixo e até cachorro morto. A gente limpou, trabalhou muito’’, disse a diarista Vilma Ferreira da Silva, 33 anos, solteira e mãe e dois filhos.
Edna Cristina da Silva Vinhares, 26 anos, casada com dois filhos, conta que está com a família na ocupação desde o carnaval. Ela afirma que veio de Ivaiporã porque lá estava sem emprego e sem dinheiro para o aluguel. ‘‘Era aluguel ou comida. Fiquei sabendo do assentamento e resolvi me mudar. Aqui a vida melhorou. Mas se tiver que sair, fazer o quê?’’, lamenta.
Um dos ‘‘barracos’’ que mais chamam a atenção na invasão é o do aposentado André Marques, 69 anos, e da mulher dele, Maria dos Santos, 43. Eles construíram uma casa mista com madeira e alvenaria e têm Fusca na garagem. ‘‘Morávamos em Maringá e viemos para cá para tentar arrumar serviço. Não dava para ficar na rua com três crianças’’, diz Maria dos Santos. ‘‘O Fusca meu marido comprou ainda em Maringá.’’
André Marques, que se diz líder das famílias invasoras, ganha R$ 130,00 de aposentadoria por mês e garante que com o dinheiro não consegue pagar aluguel e viver com a família. ‘‘A gente quer ficar aqui com direito a água e a luz. Não vamos desocupar de jeito algum. O pessoal todo daqui já disse que não sai’’, garante.Paulo WolfgangRemoçãoA Cohab retirou do local ontem 21 famílias. A companhia fez um novo cadastramento e derrubou barracos vaziosLúcio Horta

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