Milton DóriaCai não cai!Moradores utilizam a pinguela improvisada pela Prefeitura: construção da ponte parou há seis mesesQuase cinquenta famílias que moram em chácaras na região norte de Londrina, próximo ao jardim residencial Liberdade, fizeram um protesto ontem de manhã para exigir da Prefeitura a conclusão de uma ponte sobre o ribeirão Lindóia, ligando as propriedades rurais à Cidade. A ponte começou a ser feita há cerca de um ano, mas de seis meses para cá, segundo os moradores, a obra parou completamente. ‘‘Na época, disseram que em 120 dias ela já estaria pronta. Isso depois de oito anos de luta. A gente até achou que a ponte ia sair só que, até agora, não fizeram nada e não deram satisfação’’, critica o morador Luiz Pegorari.
Para transitar de um lado para o outro, os moradores estão utilizando uma pinguela feita de barras de concreto improvisada pela própria Prefeitura. O problema é que só dá para passar a pé ou, no máximo, de motocicleta. Ainda assim com pouca segurança. Já para quem quiser entrar ou sair das chácaras de automóvel - e atingir o lado oposto - terá que rodar quase quatro quilômetros em estrada de terra.
Além da precariedade da pinguela, os moradores são obrigados a encarar um barranco de terra, cheia de mato, pedras e buracos. ‘‘Sem contar o escuro’’, acrescenta Pegorari. ‘‘A pessoa vai trabalhar na Cidade, volta à noite e é um perigo.’’
O problema é agravado também pelo grande número de crianças que estudam na Cidade e moram nas chácaras, do outro lado da pinguela. Diariamente elas precisam atravessar a passagem improvisada e ficam expostas ao risco de acidentes. Quando chove, a situação fica incontornável. ‘‘Atrapalha bastante a gente e às vezes temos que faltar porque não dá para passar pela pinguela. Todo mundo reclama’’, afirma Patrícia Nunes Azevedo, 13 anos, que cursa a 6ª série do primeiro grau.
Priscila Pegorari, 16 anos e estudante do 1º ano do segundo grau, comenta que a solução para dias de chuva é proteger os pés com saquinhos de arroz. ‘‘A gente faz isso para não encher o sapato de lama. Mas tem dias que nem assim é possível ir à escola. Aí, quando a gente falta da escola, as professoras até entendem’’, diz.
‘‘A turma está disposta a ir até a Prefeitura, no gabinete do secretário de Obras, para saber por que a ponte ainda não foi construída. Se em uma semana não tivermos uma resposta vamos até lᒒ, garante Valdivino Nunes de Azevedo, também morador de uma das chácaras da região. Ele conta que há pouco tempo um carroceiro tentou passar pela pinguela, caiu no rio com cavalo e tudo e quase morreu. ‘‘Isso tem que ter uma solução. Do jeito que está não dá mais.’’
A Folha não conseguiu falar ontem com o secretário de Obras, José Righi de Oliveira. Ele estava em férias até ontem e a previsão é que ele retorne hoje ao trabalho.

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