Bairro obedece à lei do silêncio
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terça-feira, 09 de abril de 2002
Érika Pelegrino Reportagem local 
A lei do silêncio ainda é o código de conduta seguido à risca pelos moradores do Conjunto João Turquino (zona oeste de Londrina). Na opinião de muitos deles, o policiamento no bairro melhorou nos últimos três meses. Mas são raros os que transgridem a norma instituída pelos marginais que moram no local: identificá-los.
A Folha esteve ontem no João Turquino e conversou com vários moradores. Nenhum deles quis se identificar. A reportagem verificou que aqueles que moram nas ruas da entrada do bairro estão mais tranquilos quanto ao policiamento. Nos últimos três meses, a viatura está no bairro diariamente, afirma uma moradora.
No centro do bairro os moradores afirmam que se comparado ao ano passado, hoje há mais policiamento, mas não diariamente. Às vezes ficamos seis dias sem ver uma viatura, diz outra moradora. Com ou sem polícia, os moradores são unânimes quanto à postura a ser tomada para aqueles que não querem ser expulsos de suas casas: eu não vi nada, não sei de nada.
Os moradores do João Turquino desenvolveram o que chamam de relação de convívio com os bandidos. A gente passa por eles, cumprimenta, mas em hipótese nenhuma denuncia para a polícia, afirma uma moradora. Se a gente denunciar quem são, a polícia não vai prender e a gente vai sofrer as consequências. Eles colocam fogo nas casas, expulsam do bairro.
Aqueles que cumprem a lei estabelecida têm até proteção dos bandidos. Uma moradora afirma que mora no bairro há seis meses e teve sua casa assaltada apenas uma vez. Eles (os assaltantes) mesmo deram uma lição no rapaz que fez isto, conta. Ela afirma que conhece os bandidos.São meninos que eu vi crescer. Tem pelo menos uns 30 deles, alguns até com oito anos, afirma.
Outra moradora conta que convive com os marginais e obedece a lei de nunca denunciar nada. Tem até menino de 12 anos que brinca na minha casa com meu filho. Eu só falo para o meu menino ficar de boca fechada, conta. A orientação da mãe para a criança é a mesma que a dos adultos: você não viu nada, não sabe de nada.
Se a gente fala alguma coisa, não sabe o que pode acontecer com nossos filhos. Sair durante a noite nenhum dos moradores se arrisca. Sempre ouço tiros. Não saio de casa durante a noite de jeito nenhum, afirma uma das moradoras.
O delegado-chefe da Divisão Policial do Interior, Clóvis Galvão, afirmou ontem à Folha que determinou que uma equipe de investigadores faça um levantamento sobre os casos de ameaça no João Turquino para que seja instaurado inquérito policial.
Em entrevista à Folha, na segunda-feira, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Rubens Guimarães, afirmou que as pessoas precisam ajudar a polícia e denunciar através do Disk Denúncia (161). Ele afirmou ainda que estão sendo feitos arrastões no João Turquino, e que uma viatura da PM está diariamente no bairro.


