LONDRINA Bairro nobre é cercado pela prostituição Prostitutas e travestis fazem ‘ponto’ nas ruas do Jardim Shangri-lá e revoltam moradores; polícia admite que pouco pode fazer César AugustoINVASÃOMovimento nas ruas do Shangri-lá: depois das 17 horas, bairro vira ‘ponto’ de prostituiçãoCésar AugustoCliente é abordado: ‘programas’ são feitos até nas calçadasDepois de 30 anos no bairro, fazendeiro diz que está difícil morar no Shangri-lá Osmani Costa De Londrina Moradores do Jardim Shangri-lá, um dos mais tradicionais de Londrina, se dizem desesperados com o que consideram um agravamento do problema da prostituição nos últimos meses. Dezenas de prostitutas adultas e travestis fazem ‘‘ponto’’ diuturnamente no quadrilátero formado pelas avenidas Tiradentes, Leste-Oeste, José de Alencar e Universo, que circundam o bairro da zona oeste. Segundo os moradores – na maioria agropecuaristas, profissionais liberais e empresários de classe média –, a situação passou os limites do tolerável porque muitas prostitutas fazem alguns ‘‘programas’’ com seus clientes nas calçadas, embaixo das árvores ou dentro de carros estacionados em frente às suas residências. ‘‘Isto aqui virou uma pouca vergonha danada. Não dá mais para aguentar, porque tenho filhos pequenos e somos obrigados a conviver com esta depravação todos os dias’’, desabafa uma dona de casa ouvida pela Folha. Ela não é identificada na reportagem por temer represálias das prostitutas e seus clientes. ‘‘A gente nunca sabe com quem está mexendo. Por trás da prostituição deve haver traficantes de drogas e outros bandidos.’’ De acordo com ela, os travestis e prostitutas começam a chegar nas imediações do Shangri-lá por volta das 17 horas e só vão embora no meio da madrugada. ‘‘Não tenho nada contra as mulheres e homens que vendem e compram seus corpos. Mas eles deviam fazer ponto em outro lugar, não num bairro residencial e familiar como o nosso. Ou, pelo menos, que façam seus programas em motéis e não aqui em frente de nossas casas, com as crianças e adolescentes vendo tudo’’, ressalta. Ela afirma que já telefonou várias vezes às polícias Civil e Militar, mas que as autoridades nunca tomaram as providências necessárias para solucionar definitivamente o problema. Outro que está muito preocupado com o aumento da prostituição no bairro é o fazendeiro José Maria (o nome é fictício). ‘‘Está duro continuar morando aqui, com tanta sacanagem na cara da gente. Moro aqui há mais de 30 anos; este sempre foi um lugar familiar e de muito respeito. Agora, está nesta situação’’, reclama. O fazendeiro explica que às vezes alguma viatura da Polícia Militar (PM) até vai ao local, quando chamada, mas dificilmente prende alguém. ‘‘Os policiais passam, olham e, no máximo, conversam com as prostitutas e depois vão embora’’, comenta. ‘‘Cinco minutos depois, volta tudo ao normal. Ou seja, já tem gente fazendo sexo oral dentro de carro ou enconstado em árvore aqui em frente de novo. É uma barbaridade.’’ Moradores reclamam que os travestis são ainda mais agressivos que as prostitutas, porque vão para os ‘‘pontos’’ com shorts curtíssimos, fazem topless e gritam palavrões durante a noite toda. ‘‘Não dá mais para sair ou chegar em casa em paz depois que o sol se põe. Receber a visita de familiares e amigos, então, virou motivo de constrangimento’’, afirma o fazendeiro. Também as empregadas domésticas das famílias do Shangri-lá têm passado por maus momentos por causa da prostituição. Constantemente elas são abordadas e ‘‘cantadas’’ por motoristas de veículos que as confundem com prostitutas, enquanto esperam por ônibus na saída do trabalho. ‘‘É uma situação muito chata. A gente trabalha duro o dia inteiro, está cansada esperando o ônibus para voltar para casa e chega um engraçadinho e vai chamando a gente para fazer programa. É muito constrangedor’’, diz uma cozinheira que é casada, tem dois filhos e não quer ser identificada. De acordo com ela, várias colegas suas têm passado pela mesma situação nos pontos de ônibus do Shangri-lá nos últimos meses.

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