Na semana em que comemora 15 anos de fundação, o conjunto de bairros da zona sul de Londrina denominado jardins União da Vitória preparou uma programação de aniversário que segue até o dia 2 de setembro. As comemorações incluem exibição de vídeos sobre a fundação do bairro, exposição de fotos, jogos, cultos ecumênicos, palestras e shows musicais.
As crianças são as mais animadas com o aniversário do bairro, que surgiu em 1985, de uma invasão de favelados. No Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (Caic), a estudante Daiane Pereira dos Santos, 9 anos, diz que ‘‘gostaria de presentear o bairro com mais postos de sa© úde’’. A professora do Caic, Vânia Dias do Carmo, acha que o nome do bairro é uma palavra-chave. ‘‘União e vitória. Aqui estas palavras têm história’’, reforça.
Um dos mais antigos moradores, João Alves de Oliveira, 33 anos, jardineiro, relembra as dificuldades de início. ‘‘Enfrentamos até um pelotão de choque enviado pela prefeitura, mas fomos persistentes. Na verdade, nem havia outra alternativa. Era ficar ou ficar’’, analisa. Ele acha que atualmente os moradores precisam de uma maior oferta de empregos no próprio bairro.
A discriminação dos primeiros anos já não é tão frequente, segundo a dona de casa Claudete da Silva Salgado, 42 anos, casada e mãe de sete filhos. ‘‘Se falasse que era do União não conseguia emprego, mas isto é passado’’, assegura a mulher, que acompanha a filha Priscila, de 17 anos e grávida do primeiro filho.
Literalmente assentada sobre uma paisagem de altos e baixos, a população de cerca de 15 mil habitantes do bairro União da Vitória – um dos mais populosos de Londrina – já se acostumou ao sobe-desce das ruas íngremes. As casas, vistas de longe, parecem se equilibrar sobre as encostas dos morros. Andar de bicicleta ou fazer uma caminhada pode se tornar uma aventura de fôlego.

Segundo informações de um professor do setor de geologia e solos do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o União da Vitória foi construído sobre terrenos litolíticos, que são camadas rasas de solo sobre uma rocha-mãe. O terreno do bairro ainda está em evolução, com lenta decomposição das rochas.
De acordo com o professor, os terrenos litolíticos não absorvem com facilidade as águas da chuva. Isto significa que, não tendo como se infiltrar, as águas vão escorrer ladeira abaixo. O professor explica que esta situação é comum no Rio de Janeiro, que sofre com desmoronamentos. Lá o problema é mais visível porque as casas estão somente em cima das depressões. No União da Vitória as habitações se intercalam nas encostas e nos vãos da depressão, mas não estão livres do perigo em caso de trombas-de-água.
O professor alerta para os riscos de loteamentos sobre solos rasos. Segundo ele, por serem mais baratos, estes terrenos acabam sendo utilizados para loteamentos populares. O ideal seria que fosse preservada a vegetação original, o que conservaria a camada fina do solo. No União da Vitória, à medida que o crescimento populacional aumenta, cresce na mesma proporção o asfaltamento, fazendo com que as águas fluviais escorram para o ribeirão mais próximo, que pode não ter capacidade para a grande vazão que receber.

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