A Associação de Moradores do Jardim Araucária, um bairro de classe média de Campo Mourão, deverá doar gasolina para o 11º Batalhão da Polícia Militar com o objetivo de que sejam intensificadas as rondas na região. ‘‘Sentimos que a situação está piorando e temos que tomar uma atitude’’, disse ontem o presidente da associação, o advogado Edilton José da Rocha. Segundo ele, o bairro vem sofrendo com uma onda crescente de arrombamentos a residências.
Das 177 famílias do Jardim Araucária, 110 já aceitaram o pagamento mensal de R$ 3,00, através de um carnê, para o investimento em melhorias no bairro. Rocha diz que nem todo o dinheiro arrecadado será repassado como ajuda à PM, mas admite que a segurança é uma das prioridades dos moradores. De acordo com ele, o problema não está na falta de esforço da polícia local, mas ‘‘no descaso do governo do Estado com a segurança pública’’. No mês passado, a Secretaria de Segurança anunciou cortes de 40% no orçamento.
‘‘Em cada residência assaltada fica um prejuízo de pelo menos R$ 2 mil’’, conta o presidente da associação. ‘‘E o governo não nos ressarce por isso.’’ O Jardim Araucária faz divisa com matas, o que facilita a fuga dos ladrões. A vendedora Amélia Poturlhak já teve sua casa arrombada três vezes. Na primeira vez, os ladrões chegaram a quebrar a parede para entrar na casa. ‘‘Se pudesse, me mudava daqui agora’’, diz.
A Folha não conseguiu falar ontem com o comandante do 11º BPM, major Nélson João Casaroli. Ele estava viajando. Em entrevistas anteriores, no entanto, o major já havia admitido que o combustível estava racionado e que as rondas tinham diminuído. O posto que vendia combustíveis à PM suspendeu o fornecimento por falta de pagamento. A dívida é de cerca de R$ 15 mil. As viaturas passaram a ser abastecidas em outro posto.
Na 16ª Subdivisão Policial as dívidas com combustíveis são de quase R$ 20 mil e já forçaram o delegado-chefe Roberval Butaccini a cortar pela metade a cota de cada viatura.

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