Luciana Pombo
De Curitiba
Moradores do Jardim Paloma, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), fizeram ontem um protesto de quase três horas na Rua Cerro Azul, queimando pneus e madeira. Foi nessa rua que a estudante Jaqueline Caldas dos Santos, de 17 anos, morreu atropelada por uma viatura policial que estava em alta velocidade. O acidente aconteceu por volta das 18h30 de anteontem. ‘‘Temos que acabar com os rachas. As viaturas da polícia são acostumadas a fazer racha nesta rua’’, acusou o comerciante Joacir Pereira, 36 anos. Este foi o segundo atropelamento no local em menos de seis meses. ‘‘Queremos providências e segurança para resolver o problema. Não vamos aceitar que estas mortes continuem a acontecer por aqui’’, reclamou Pereira, que assistiu ao acidente.
Os manifestantes queimaram pneus, papéis, plásticos e galhos de árvore. Quase toda a extensão da rua foi bloqueada. Durante a manifestação, o comerciante Mauro Donizete Cervínio, 23 anos, teria sido detido pelos policiais – identificados apenas como soldado Souza e sargento Everaldo. Souza era o policial que dirigia a viatura responsável pelo atropelamento. ‘‘Eles me algemaram e me colocaram na viatura. Se não fosse o clamor popular, eles teriam me levado para prisão’’, afirmou ele, ao contar que tentou defender o tio da menina, que pedia por justiça. ‘‘Eu vou processá-los, não tenho medo de perseguição. Vi quando os policiais desceram esta rua com o farol baixo e o giroflex desligado’’, denunciou.
O corretor de imóveis José Antonio da Silva, 62 anos, contou que os policiais Souza e Everaldo desceram e arrancaram as placas da viatura para que a população não identificasse o carro que atropelou a menina.
Os vereadores José Vicente de Lima (PFL) e J. Camargo (PFL) foram chamados ontem ao local e entraram em acordo com os manifestantes. Na segunda-feira, às 9 horas, eles participam de uma reunião com a comissão de moradores do Jardim Paloma e com o comando local da Polícia Militar. Além de justiça, os manifestantes pedem ainda a colocação de uma lombada ou de um redutor de velocidade no local para diminuir os atropelamentos.
O comandante da 4ª Companhia do 17º Batalhão da Polícia Militar, capitão Sandor Luiz Guimarães, disse que foi lavrado o boletim da ocorrência e a viatura foi recolhida depois de ter sido periciada pelo Instituto de Criminalística. O soldado Souza, que estava dirigindo a viatura, foi levado para fazer exame de dosagem alcoólica e não poderá dirigir viaturas até o final dos procedimentos administrativos. Também estão sendo abertos um inquérito policial militar e um técnico para analisar as condições da viatura.
No boletim de ocorrência da PM, os policiais alegaram que perseguiam um Gol azul metálico furtado (placa ignoradas), quando a estudante teria atravessado a rua. O soldado Souza teria tentado desviar. ‘‘Após as investigações é que diremos se eles têm ou não culpa. Qualquer conclusão agora é precipitada’’, declarou o capitão Sandro Guimarães.Moradores bloquearam rua e queimaram pneus para protestar contra o atropelamento e a morte de uma adolescente por uma viatura policial
Kraw PenasComerciante Mauro Donizete Cervínio foi detido durante o protesto, mas foi solto pelo ‘‘clamor popular’’; comunidade exige a colocação de uma lombada ou de um redutor de velocidade no local

mockup