Bairro faz 13 anos com vitórias
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Lucilia Okamura 
Há alguns anos, o Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina) era sinônimo de criminalidade e violência, além de ser considerado um dos mais carentes da cidade. Hoje, quando o bairro completa 13 anos, lideranças garantem que muitos dos problemas foram solucionados e que o estigma da violência está acabando.
O União da Vitória, que surgiu a partir de uma invasão de favelados, conta atualmente com uma população estimada em 15 mil habitantes e ocupa uma área de 45 alqueires. Estes números dão o status de maior bairro de Londrina. É maior também que 300 municípios do Paraná, segundo o presidente da Associação dos Moradores do bairro, Edgar Campos de Souza.
O núcleo inicial do bairro foi chamado de União da Vitória 1 e, mais tarde, foram surgindo o 2, 3, 4 e 5. Souza afirma que depois do processo de regularização, que teve início há alguns anos, oficialmente existem apenas o União 1 e 2 - o restante foi incorporado ao último núcleo. Mas a comunidade ainda não está acostumada, relata.
O presidente da associação garante que a falta de pavimentação asfáltica, de rede de esgoto, água, telefone e o excesso de violência são coisas do passado. O União da Vitória melhorou em 80% em todos os aspectos, observa. Ele relata que o bairro já conta com um grande posto de saúde, 70% das ruas asfaltadas e 70% das casas possuem rede de esgoto.
Souza afirma que as benfeitorias conseguidas para o bairro são fruto da organização e união de 13 entidades. Antes, ficava a Associação de Pais e Mestres de lado, a associação de outro, quer dizer, as entidades ficavam isoladas. Quando elas se conscientizaram que tinham que trabalhar unidas,
começamos a melhorar, afirma.
A violência, segundo Souza, não é assustadora. O coordenador do Conselho de Entidades do bairro, Nelson Cardoso, confirma que o índice de criminalidade reduziu bastante. Morador do bairro desde que começou a ser criado, Cardoso lembra que nos primeiros anos, toda semana tinha uma morte. Ele acredita que isso acontecia porque vieram famílias de vários lugares e, como não se conheciam, uma ficava com medo de outra.
O estigma de bairro violento e carente, segundo Cardoso, começou a mudar com o trabalho de conscientização das lideranças junto à comunidade. Começamos a mostrar aos próprios moradores que era uma minoria que cometia violência. A grande maioria dos moradores é trabalhador, explica. Fizemos um trabalho de valorização de auto-estima da população, afirma.


