Bairro espera por asfalto há 19 anos
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Célia Baroni 
Mário CesarQue dureza!Moradores tiveram que ajudar caminhão a sair do atoleiroUma simples e rotineira entrega de móveis se tornou uma tremenda dor de cabeça para o motorista Rui Osvaldo Balieiro, funcionário das lojas Bahia. No início da tarde chuvosa de quinta-feira, o roteiro que englobava 12 entregas começava pelo Parque Residencial do Café (zona norte de Londrina). Mas o caminhão ficou atolado na lama do bairro por mais de duas horas.
Ver veículos atolados naquelas ruas não é novidade para os moradores que estão revoltados com a situação. Este bairro existe há 19 anos. A cada eleição, os candidatos vêm aqui e prometem asfalto e nada, reclama o guarda noturno aposentado, Angelo Ferreira da Cruz, 68 anos. Membro da associação de moradores do bairro, ele diz que as pessoas estão cansadas de esperar. Já fomos até a prefeitura, na secretaria de Obras e até na Câmara de vereadores mas nada adiantou.
Há três anos, conta, foi colocado cascalho nas ruas, melhorando a situação. Mas, segundo ele, a maior parte do bairro está em um declive acentuado de mais de 200 metros e, quando chove, a enxurrada carrega tudo. O gari Mario Massi ressalta que a falta de asfalto prejudica principalmente quem trabalha fora e o acesso das crianças à escola.
Para sair daqui, só a pé e com saquinho de lixo nos pés, diz. Ficar doente e precisar de ambulância em época de chuva é o terror dos moradores. O porteiro Ailton Ribeiro dos Santos, 35 anos, diz que a única solução é sair carregando o doente nas costas.
E não é só. Muitos moradores tiveram de improvisar pontes ligando a casa até a rua. Como as estradas são de terra e não têm nenhuma infra-estrutura, a força das águas da chuva provocaram erosão, abrindo valetas com quase dois metros de profundidade entre a rua e as casas. Quem prometeu ou não, não importa. Nós não podemos é continuar abandonados deste jeito, enfatiza a dona-de-casa Jovita de Oliveira, 37 anos.
O secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, informou que ainda não há previsão para começar a fazer asfalto na região. A programação prevê apenas o início do moledamento das ruas do bairro até julho. Não é questão de vontade política, mas de falta de recursos. Ele explica que, na mesma situação que o Parque Residencial do Café, estão cerca de 10 bairros.
São loteamentos antigos ou em situação irregular, justifica Righi. Até cerca de cinco anos atrás, a loteadora não era obrigada a entregar o loteameto com asfalto e não explicava para os compradores que caberia a eles se cotizarem para obter a benfeitoria. Agora, a prefeitura só libera novos loteamentos depois da loteadora implantar toda a infra-estrutura - água, luz, meio fio e asfalto.


