No início, em 1996, perto de 40 famílias ocuparam a área na Zona Leste de Londrina. Sete anos depois, os moradores do Jardim Monte Cristo permanecem na luta por condições dignas de habitação. A ausência de infra-estrutura é total e atualmente são cerca de três mil moradores convivendo diariamente com a poeira e o barro, sem ligações de energia elétrica regulares e os constantes desabastecimentos de água, além da inexistência de escolas, postos de saúde ou áreas de lazer.
O lazer, pelo menos ontem, foi ''proporcionado'' pelo Poder Público aos habitantes do Monte Cristo. Com participação da Banda Municipal e dezenas de autoridades estaduais e locais como o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito Nedson Micheleti (PT) um evento marcou a assinatura da ordem de serviço para obras de urbanização do bairro. ''(A urbanização) É importante porque os Correios passarão a chegar ao endereço de cada morador'', avaliou o presidente da Associação de Moradores do bairro, o construtor Walter Martins, 49 anos.
Apesar da conquista, o sentimento dos moradores é de que a luta pelas benfeitorias ainda está longe de se esgotar. Para o autônomo Júlio César Viel, 39, a ligação de água é a principal ''benfeitoria.'' ''Sem luz ainda dá para passar. A gente se vira. Mas sem água é muito mais complicado'', opinou. ''Agora estamos confiando no presidente do bairro. Esperamos que as obras saiam mesmo.''
''Cada um tem de ter sua própria ligação de água e luz. É muito mais fácil e mais justo'', disse a dona de casa Josiane da Silva, 20 anos. Ela contou que as ligações comunitárias não deram certo porque moradores deixavam de pagar a conta de água. Também dona de casa, Marlene de França, 33, disse que a filha de 15 anos tem de estudar numa escola próxima ao Hospital Universitário (HU), longe do bairro. As moradoras afirmaram que as escolas mais próximas ficam no vizinho Jardim Marabá. Ela reclama também da falta de uma área de lazer para as crianças. ''Elas brincam na rua mesmo. No barro'', disse. Para ter acesso a energia elétrica, os moradores são obrigados a recorrer a ligações clandestinas, conhecidas como ''gatos.''
Já a dona de casa Maria de Oliveira da Silva, 50, é uma das moradoras mais antigas do Monte Cristo. A principal queixa dela é a falta de asfalto, que não está previsto para a primeira fase de urbanização. ''Quando chove não dá pra sair. Quando não é a poeira é o barro. Às vezes penso em sair daqui, mas não tenho lugar para ir'', resignou-se. E era neste barro que as crianças se divertiam pouco depois do encerramento da solenidade, quando mais uma chuva forte castigou as ruas de terra do Jardim Monte Cristo.

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