Bairro é contra antenas para celular
Instalação de torres em duas ruas de área nobre da cidade mobiliza moradores, que tentam impedir operadora de telefonia
Marcos Zanatta
Marcos NegriniTranquilidade ameaçadaRua Marcelino Champagnat, onde será instalada uma das antenas, é uma das mais calmas do bairro
Moradores da Zona 2 de Maringá querem impedir a instalação de antenas de telefonia celular no bairro, um dos mais valorizados da cidade. O projeto da NEC, empresa contratada pela Telepar Celular para operar o serviço, prevê a montagem de duas antenas na Zona 2.
Uma na Rua Marcelino Champagnat e outra na Avenida Anchieta, nas duas extremidades do bairro. Os moradores querem que apenas uma antena seja instalada na Avenida Cerro Azul, que corta a Zona 2 e fica na parte mais alta do bairro.
O presidente da associação de moradores, Claudines Boer, justifica que a legislação não permite edificações acima de dois pavimentos na Zona 2 e que a antena pode abrir precedentes para a construção de prédios na área. ‘‘Não queremos impedir avanços na prestação de serviços à comunidade, mas apenas usar o bom senso’’, explica.
Ele lembra que o bairro é um dos mais arborizados de Maringá e quase todo residencial. ‘‘Por isso defendemos a antena em uma área comercial’’.
Segundo Boer, a resistência à instalação da antena não se resume ao aspecto visual. Ele diz que existem estudos que comprovam a nocividade dos raios da telefonia celular. ‘‘Além disso as empresas não consultaram os moradores’’, lamenta. Boer alerta que hoje o movimento contra as antenas na Zona 2 ainda é pequeno e que se as empresas insistirem a resistência será maior.
O representante da NEC em Maringá, Marcos Doni, diz que a mudança de local para a instalação das antenas está descartada. Ele explica que hoje a região é servida por duas bases, no centro e na Vila Cleópatra, e necessita de mais antenas para atender à demanda de usuários. A fila pelo telefone celular em Maringá já tem mais de 9,5 mil interessados. ‘‘Apenas uma antena na Avenida Cerro Azul deixaria uma área da cidade sem sinal’’, alerta.
Doni lembra ainda que a antena tem altura entre 32 e 35 metros e trabalha com a potência reduzida, o que descarta qualquer interferência em equipamentos utilizados pelos moradores. Ele diz também que existem muitas teorias em relação aos males causados à saúde dos usuários de telefone celular. ‘‘Fica difícil falar sobre isso primeiro porque trabalho na área técnica e depois porque assim como existem estudos dos males, existem também contestações’’, afirma.

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