O pedreiro Pedro Francisco de Araújo mora na região da Água das Pedras, na zona leste de Londrina, apontado pela secretaria municipal de Saúde como o bairro com maior índice de infestação do mosquito Aedes aegypti na cidade. Ele lamentou a notícia. "Eu sou autônomo e não posso ficar doente. Se eu não trabalho, não ganho nada. Fico preocupado de adoecer", relatou ele, que garante manter o quintal sempre limpo. "Os agentes (de Endemias) que vão na minha casa nunca encontraram nada, mas a gente não sabe como está a casa dos vizinhos", opina ele, que tem um parente que adoeceu e o deixou ainda mais preocupado. "Ele me disse que é uma doença horrível. Não quero nem pensar em ter dengue", afirmou.

A aposentada Edna Cristina Cimpiam mora na região e também se preocupa com o risco de contrair dengue. Ela faz tratamento contra um câncer e por isso faz o possível para se proteger. "Deixo a casa sempre limpa e uso repelente. Vejo que há muito desleixo pelo bairro, inclusive com lixo jogado pela rua. É uma pena que as pessoas não se preocupem", criticou.

Imagem ilustrativa da imagem Bairro da zona leste tem índice de infestação de 50%



Levantamento divulgado pela secretaria municipal de Saúde nesta quinta-feira (26) aponta que o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti na cidade é de 4,7%. É o segundo Liraa (Levantamento de índice rápido do Aedes aegypti) realizado em Londrina em 2018 – o primeiro apresentou índice 12,1%. Apesar da queda, o município continua em situação de alerta. Os parâmetros da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do Ministério da Saúde apontam que infestação acima de 3,9% já representa risco de epidemia.

A região com maior índice de infestação é a Norte (5,65%), seguida por Sul (5,33%), Centro (4,05%), Oeste (3,81%) e Leste (3,51%). O bairro com maior infestação foi o Água das Pedras (zona leste), na região do Lindoia, com 50% de imóveis vistoriados com focos. Outros locais com alto índice são Royal Golf (23%), Bela Manhã (20%), Nossa Senhora Aparecida (17%) e Patrimônio Heimtal (15%).

O levantamento foi realizado entre 9 e 13 de abril em 9.236 imóveis. A pesquisa também identificou que a maior parte dos criadouros – 38% - está nos quintais das casas. São pratos de plantas, vasos, garrafas pet, bebedouros de animais e objetos deixados ao relento que acabam acumulando água. Outros 33% dos focos estavam em descartes irregulares realizados em terrenos baldios. "Ambos os casos decorrem da ação do cidadão. Se houver consciência, venceremos a batalha contra a dengue", acredita.

mockup