Esgoto a céu aberto, mau-cheiro, fossas entupidas, ruas alagadas por água poluída. Problemas como estes fazem parte do dia-a-dia de moradores do Conjunto Rosa Branca, na zona leste de Londrina, onde algumas ruas ainda não possuem rede de esgoto. A dona-de-casa Adair Helena Silva Gouveia, que mora com três filhos em uma casa de madeira de um cômodo na Rua Ameixeiras, revela que a família é obrigada a ficar até 15 dias sem poder dar descarga no banheiro.
A única fossa na casa da família está entupida, como as de várias casas existentes na região. ‘‘Se a gente usar muito a fossa, ela transborda e a água suja invade a casa dos vizinhos de baixo, que têm crianças pequenas e podem até ficar doentes por causa disso’’, diz a dona-de-casa. Viúva e vivendo da pensão de um salário mínimo, ela diz não suportar mais esta situação. Para completar, sua casa encontra-se em condições precárias. As tábuas estão podres e cedendo, ameaçando cair a qualquer hora.
Na rua abaixo da Ameixeiras, identificada apenas como Rua 2, a água do esgoto desce pelas calçadas. Na esquina com a Travessa Ananás, um morador que preferiu não se identificar conta que é comum a tubulação entupir e a água invadir o asfalto. ‘‘Aí a gente tem que pegar um pedaço de ferro e desentupir.’’
Em frente à residência de Odair Alves, funcionário das Centrais de Abastecimento (Ceasa), o mau cheiro é constante e, para alcançar a rua, é preciso passar por cima de um filete de água usada em várias outras residências da rua de cima. ‘‘É comum as crianças daqui ficarem doentes por causa da água suja.’’
Em frente à casa de Odair existe um córrego onde desemboca esgotos de banheiros de várias residências. A sujeira é visível. Mesmo assim, crianças brincam o tempo todo na água poluída. ‘‘Tem umas que até enfiam a mão e conseguem pegar uns cascudinhos para levar para casa’’, diz o funcionário da Ceasa.
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, admite estar preocupado com a situação do Rosa Branca e disse estar tentando viabilizar a obra de esgoto no local para o mais rápido possível. Ele acrescentou, porém, que Londrina, de maneira geral, convive com muita inadimplência, o que dificulta a execução de projetos. ‘‘A Sanepar é uma prestadora de serviços, trabalha com dinheiro emprestado de instituições financeiras’’, explica.
Kishima afirma que dentro de aproximadamente um mês deverão ser iniciadas as obras da rede de esgoto no bairro. ‘‘Mas sei que na região existem casas com caimento profundo, que podem dificultar os trabalhos. Pode acontecer de, tecnicamente, a instalação de esgoto ser inviável em algumas e não conseguirmos atender todos os moradores’’, observou.
Contatado pela Folha, o setor de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do município comprometeu-se a fazer uma visita ao local nos próximos dias para checar os riscos oferecidos pelo esgoto a céu aberto à saúde dos moradores.

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