Famílias do Jardim Monte Cristo, uma área invadida na zona leste de Londrina, comemoraram o dia da mães com mais de 100 quilos de bolo, distribuídos pelo Grupo de Amigos do Conjunto Roseira, que há 12 anos trabalha na promoção de eventos para moradores de bairros carentes. O Monte Cristo é uma das localidades mais pobres da cidade e o encontro para as mães acabou se transformando numa festa para mais de 300 pessoas, a maioria crianças.
Joana Maria do Carmo Batista, 77 anos, foi homenageada como a mãe mais idosa da festa e recebeu um buquê de flores. ‘‘Recebi essa homenagem com muito prazer. Esse é o primeiro presente e quem sabe ainda ganho outro. Mas já estou satisfeita’’, comentou. Sem saber ao certo o número total de netos que possui, Joana Batista afirma que ao todo criou 23 filhos (incluindo vários netos) que se encontram espalhados por São Paulo, Bahia e Pernambuco.
Andrea Rodrigues de Campos, 14 anos, também ganhou flores por ser a mãe mais nova da festa. Junto com o filho Rodrigo, de cinco meses, ela disse que a homenagem foi uma supresa agradável porque não havia sido lembrada no dia das mães, uma data que considera importante.
O coordenador do Grupo de Amigos do Conjunto Roseira, Levi de Oliveira, 35 anos, disse que para organizar a festa cada membro do grupo ajudou na arrecadação de alimentos. Ele adianta que a próxima tarefa será organizar uma festa para o dia das crianças, se possível com a distribuição de brinquedos. Segundo Oliveira, quem puder ajudar deve ligar para o telefone 341-3558.
Para outras milhares de mães que habitam a periferia de Londrina, o dia de ontem não passou de um domingo comum, sem festa e presentes. No jardim São Jorge, Benedita Conceição, de 80 anos, mãe de 10 filhos e ‘‘mais de seis netos’’, não recebeu presente e também não participou de almoço especial. ‘‘Almoçei sozinha, com Deus’’, afirmou.
No mesmo bairro, Adriana da Silva Martins, 24 anos, mãe de dois filhos e grávida de quatro meses teve mais sorte. No almoço da família o cardápio foi arroz à carreteiro e frango assado. Apesar de considerar uma data importante para as mães, Adriana não ganhou presente e brincou. ‘‘Só passei raiva com as crianças.’’ Mas ela não esqueceu a mãe, Rosa da Silva Martins, e comprou uma lembrança para a data não passar em branco.
A técnica em laboratório, Edilane Marques, 28 anos, aproveitou a tarde para brincar com o filho Felipe, de 2 anos no Zerão, a principal área de lazer no centro de Londrina. Edilane, que ganhou uma cesta matinal e um perfume, reconhece o interesse do comércio pela data mas destaca o lado afetivo para os filhos. ‘‘É importante porque ressalta para as crianças o valor das mães. O ideal seria que esse reconhecimento fosse diário’’, comentou. Um almoço reuniu a família de Edilane. ‘‘Foi um almoço especial com três gerações, os avós, mãe e os netos.’’
Mesmo sem uma promoção especial para a segunda data mais importante para os lojistas (só perdendo para o Natal), a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) calcula que neste ano o volume de vendas deve ser igual ou melhor que o dia das mães de 99. O presidente da entidade, Valter Orsi, acredita num pequeno aumento nas vendas, com um desempenho melhor para a linha de presentes mais baratos. ‘‘É uma tendência que vem se confirmando, hoje há um universo maior de compradores mas por presentes com valores menores’’, resumiu.

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