Bairro comemora 19 anos com teatro
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domingo, 29 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O ambiente das senzalas, com seus escravos, pelourinhos, o trabalho duro nas lavouras de cana-de-açúcar e a luta que precedeu a libertação dos negros no Brasil foram representados ontem à tarde na sede do Projeto Viva Vida do Jardim União da Vitória (Zona Sul). Cerca de 100 crianças vivenciaram a história dos líderes Ganga-Zumba e Zumbi dos Palmares através do teatro, e de quebra aprenderam noções de cidadania e liberdade. O espetáculo, chamado ''O Novo Negreiro'', foi apresentado para pais e pessoas da comunidade, em comemoração aos 19 anos do bairro.
Para as crianças, foi uma forma diferente de aprender história e de se comunicar. ''O teatro ensina a gente a expressar os sentimentos'', disse Alex Aparecido Belina, 14 anos, com a seriedade necessária a um feitor, personagem que lhe coube encenar. Pouco antes de começar o espetáculo ele confessou, devidamente paramentado de botas nos pés e 'chicote' nas mãos, que o papel não era dos melhores. ''Mas fazer o quê? Se eu fosse mais moreninho poderia ser um guerreiro, ou o Zumbi...
Lucas Cesar Santiago, 10, ajudou a fazer a trilha sonora, tocando reco-reco e pandeiro. Ao explicar o que havia aprendido com o teatro, mostrou que a iniciativa cumpriu o seu papel: ''Aprendi que os negros têm o mesmo sangue que nós''.
Segundo a coordenadora do projeto, Rikelly Buzatto, um dos objetivos da montagem ''O Novo Negreiro'' foi o resgate da cultura e das origens das crianças, ensinando-as a valorizar a comunidade em que vivem. ''Trabalhamos a história de forma concreta. Uma das discussões que surgiram, por exemplo, foi a permanência, nos dias de hoje, da escravidão.'' Rikelly explicou que a peça é fruto da união das várias linguagens culturais, como teatro, música, capoeira expressiva e artes plásticas.
O figurino, feito a partir de materiais simples, como corda desfiada, plástico, camisetas tingidas e estopa, foi elaborado pelas próprias crianças, durante um mês e meio de trabalho. Elas também tiveram participação na criação do roteiro, na escolha e execução das músicas, além da confecção do cenário. A direção coube à professora de teatro, Vanessa Cretuchi Quartim. ''Criamos uma encenação simples, mas que traz o peso de pedir o fim da desigualdade social e do preconceito'', disse Vanessa.


