No meio do caminho entre Mauá da Serra e Ortigueira há uma localidade que pode ser comparada a muitos distritos, conhecida como Bairro dos França. Mais antigo que os municípios do Norte do Estado - 91 anos, enquanto a média na região é de 60 anos -, o bairro sobrevive do comércio e da agricultura.
O nome França tem origem na primeira família que morou ali. Os primeiros moradores foram Domingos, Horácio, Antônio e Zacarias França. Segundo o comerciante Paulo Deduche, 47 anos, cuja família está no bairro desde a década de 40, da família França não há nenhum descendente ali.
De colonização ucraniana e polonesa, é fácil encontrar na região traços destas culturas. Na igreja ucraniana, uma abóboda - característica deste povo - denuncia a sua presença na entrada do Bairro. Já as casas mais antigas, com telhados ponteagudos e caídos, revelam a presença de poloneses.
Deduche conta que o Bairro dos França era movimentado quando a rodovia ainda era estrada de chão. Um dos proprietários de um posto de gasolina - com loja de souvenirs e restaurante -, Deduche explica que não vive do comércio local. ‘‘Noventa por cento da minha clientela são viajantes. Este posto, montado pelo meu pai, existe antes mesmo da rodovia ser asfaltada, em 1964’’, comenta.
O comerciante diz ter presenciado o crescimento econômico do Bairro dos França e a sua decadência. Tudo em sintonia com o município de Ortigueira. ‘‘Nos anos 70 chegamos a registrar no município mais de 50 mil habitantes. Atualmente, segundo projeções do Censo, temos aproximadamente 23 mil habitantes. Só no distrito, contando com a zona rural, temos em torno de quatro mil’’, informa.
Atualmente, a região tem muitas fazendas de gado, mas Deduche garante que boa parte dos proprietários não reside no município, dificultando o retorno dos investimentos. Apesar da população e da distância do centro urbano de Ortigueira - cerca de 15 quilômetros -, a localidade não é considerada distrito ou patrimônio.

mockup