Bailão termina com mais uma morte em Almirante Tamandaré
Bailão termina com mais uma
morte em Almirante Tamandaré
Assassino atirou
pelas costas, mas
diz que foi em
legítima defesa
Marcos Freitas
Especial para a Folha
A história se repete em quase todos os finais de semana. O endereço pode mudar um pouco, mas o local é sempre o mesmo: a saída de um bailão. O motivo quase sempre é banal. Assim acontece a maioria dos assassinatos em Curitiba e Região Metropolitana nos finais de semana. Na madrugada do último sábado mais uma pessoa foi morta após uma briga na saída do bailão Purkote, em Almirante Tamandaré. José Rodrigues, 20 anos, morreu com um tiro nas costas depois de uma discussão seguida de briga.
O autor do crime, Luis Carlos Pedroso, 32 anos, disse que sacou seu revólver calibre 38 em legítima defesa, depois de tentar separar uma briga. Ele diz que foi atingido no olho com um soco inglês e teve que atirar para salvar sua vida. Pereira está preso na Delegacia de Almirante Tamandaré e deve ser julgado por homicídio. A polícia não acredita na versão do acusado, pois a vítima foi baleada nas costas enquanto corria.
Segundo o delegado Osmar Tadeu, da Delegacia de Ordem Social, responsável pela segurança em bailões e danceterias, os problemas ocorrem sempre na saída. Depois de muito álcool, algum fora de mulher e mistura com drogas, uma simples rixa pode virar motivo para um assassinato, disse.
Tadeu conta que em Curitiba e Região Metropolitana existem aproximadamente 30 casas de dança. O delegado explica que para conseguir colocar em funcionamento uma casa noturna é preciso ter o alvará da prefeitura, um alvará do Corpo de Bombeiros (que atesta a segurança do local), uma autorização da Divisão de Polícia da Capital e ainda um alvará da Delegacia de Ordem Social.
Todas as semanas procuramos fazer batidas nestes lugares. Contamos com a ajuda de outras delegacias, como a de Menores e Anti-tóxicos, para averiguar possíveis irregularidades, afirma. Segundo ele, a principal reclamação dos donos de bailões é a falta de ônibus durante a madrugada. Mais ônibus dispersariam o movimento em frente às casas, diminuindo o número de ocorrências policiais.
O diretor da Urbs, Eulcides Rovani, se defende dizendo que existem 38 linhas que atendem na madrugada e atingem toda a cidade numa distância máxima de 500 metros destes estabelecimentos. Para ele o motivo da criminalidade não é a falta de ônibus e sim o abuso na ingestão de álcool e drogas.





