Baiano mata fome dos alunos
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sábado, 14 de junho de 1997
Da Redação 
Arquivo Folha/Josoé de CarvalhoBom samaritanoHeleno Lopes, o Baiano, auxilia alunos vendendo fiado e às vezes até dando alimento: RU poderia ajudarTem muito aluno da universidade passando precisão, diz com simplicidade o vendedor de salgadinhos, Heleno Severiano Lopes, o Baiano. Ele, melhor que ninguém, sabe disso. Há 26 anos seu Heleno tem um ponto de venda na UEL. E conhece muitas histórias. Isso, desde quando a UEL era ainda faculdade e o único curso - Odontologia - funcionava no Centro de Londrina.
Baiano conta que para muitos alunos ele vende fiado salgadinho, leite e café - suas especialidades. Eles não têm dinheiro para comer e muitas vezes não comeram nada durante o dia, diz. Para ajudar esses estudantes - o que diz ser uma obrigação - seu Heleno dá o alimento em troca da promessa de que um dia serão pagos.
Muitas vezes, o pagamento fica só na promessa, mas seu Heleno não se incomoda. Se puderem pagar, tudo bem. Se não puderem, não posso fazer nada.
Seu Heleno tem história para contar sobre o drama de alguns alunos da Universidade. Já ouvi vários dizerem que comeram só feijão com repolho ou miojo. Outros passam fome mesmo.
Baiano, que na realidade nasceu em Alagoas, acredita que a Universidade e o Estado poderiam auxiliar na melhoria de condições desses estudantes. E ele sugere uma solução objetiva: Alguma coisa pode ser feita aqui dentro. O Restaurante Universitário, por exemplo, se saísse, poderia ajudar o dia-a-dia dessas pessoas.
(Josiane Schulz)


