Um grupo formado por mais de 50 pessoas, a maior parte crianças, invadiu há 15 dias uma baia (compartimento utilizado para recolher animais), localizada em um terreno no Jardim Nova Conquista (Zona Leste de Londrina). As famílias, oriundas de bairros da mesma região, estão vivendo em condições subumanas e dependendo de doações para se alimentarem. Essa é a segunda vez que o local é invadido em pouco mais de dois anos.
Um dos líderes dos invasores, Fábio Júnior Duarte Ferreira, argumentou que as famílias não têm condições de continuarem pagando aluguel, por isso decidiram pela invasão. Ele completou que somente alguns membros do grupo possuem emprego, a maioria como servente de pedreiro. Outros saem pelas ruas em busca de material reciclável. ''Só saíremos se nos derem uma casa ou um terreno'', frisou.
Na tentativa de mostrar um mínimo de organização, os invasores subdividiram o local em várias partes utilizando tapumes. Dentro de cada ''residência'' estão poucos móveis e alguns colchões onde crianças e adultos se amontoam para dormir. Como não há banheiro, a solução encontrada foi improvisar um local no meio do mato. A água para tomar banho, beber e cozinhar é retirada de um córrego existente nas proximidades.
A desempregada Eliana Cristina da Silva tem quatro filhos, todos menores de cinco anos. Para piorar a situação, ela está separada do marido e um dos filhos é deficiente físico. Para alimentar a família, ela conta com a ajuda de sua mãe e dos demais invasores. ''Só viemos para cá porque não tínhamos para onde ir'', pontuou.
Com apenas 16 anos, Laís de Moraes está grávida de oito meses do primeiro filho. O marido conseguiu um emprego temporário como servente de pedreiro, mas não tem garantias de que continuará trabalhando por muito tempo. ''O pouco que a gente tem para comer é dividido com minhas duas cunhadas'', declarou.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Carlos Eduardo Afonseca, garantiu que as famílias serão retiradas do local sem receberem nada em troca. Segundo ele, as famílias poderão se inscrever em programas habitacionais e ficarão esperando futuros loteamentos. Ele completou que ainda não existe um prazo para as famílias saírem da baia. ''Não é por se tratar de um ano eleitoral que bancaremos uma ocupação ilegal'', ressaltou.
Afonseca afirmou que existe a possibilidade de a baia ser colocada em outro bairro, onde possa ser utilizada para abrigar animais, sua verdadeira finalidade. Ele observou que na outra oportunidade em que o local foi invadido, os sem-teto causaram prejuízos. ''Tivemos que reformar para prestar contas à União, pois foi construído com recursos federais'', observou.
O secretário municipal do Meio Ambiente, padre Dirceu Fumagalli, disse que a questão será resolvida pela Cohab e que o município não pretende ingressar na Justiça para desocupar o compartimento.

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