Baggio acusa o governo de violento
Emerson Cervi
De Curitiba
O coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, também foi impedido de acompanhar a desocupação. Ele ficou a 100 metros da Praça Nossa Senhora Salete, enquanto os acampados eram retirados dos barracos e encaminhados para os ônibus. Essa é a cara do Governo Lerner que tortura e violenta os direitos humanos, desrespeitando as leis mais elementares, gritava durante a operação. Segundo Baggio, a ação da Polícia Militar melou o processo de negociações entre o MST e o Governo do Estado. Nós estávamos caminhando para um diálogo cada vez mais aberto com o Incra, e agora voltou tudo para a estaca zero.
Baggio disse que os coordenadores do movimento vão se reunir nos próximos dias para discutir as medidas que serão tomadas. Ainda não tenho condições de pensar nisso. Existem lideranças do MST presas e as pessoas foram levadas daqui só com a roupa do corpo.
Baggio assegurou que havia cerca de 800 pessoas no acampamento. Como estávamos em processo de negociação contínua com o Incra, na última semana houve um reforço do pessoal no acampamento.
O comando da operação da PM contesta os números do MST. Apesar de terem registrado todas as pessoas, o comandante disse não saber o número de sem-terra que foram retirados da praça. Saíram do local 12 ônibus e nove caminhões carregados com colchões e bens pessoais dos acampados. O major José Paulo Betes, comandante da operação, garantiu que os sem-terra serão levados aos seus locais de origem. Todos voltarão para acampamentos ou assentamentos onde estavam vivendo antes de virem provisoriamente a Curitiba, afirmou. Existiam representantes de acampamentos de 13 regiões do Estado em Curitiba.





