O Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba está com sua Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) interditada. Um surto de infecção hospitalar provocado pela bactéria Acinectobacter balman pan-resistente deixou o setor em alerta e nove pacientes estão em total isolamento, recebendo um tratamento especial. Nenhuma internação está autorizada até que o problema seja resolvido.
Nos últimos dois meses quatro pacientes que estavam com a bactéria morreram na UTI. ‘‘Não sabemos ainda se eles morreram por causa da bactéria, mas é certo que estavam contaminados por ela’’, disse um médico que não quis se identificar. Entre as pessoas internadas, pelo menos uma está com o contágio confirmado e não há previsão sobre seu estado clínico.
A bactéria que provocou a infecção nos pacientes do HC vive 86 dias na superfície, está no ar e reproduz-se com facilidade. ‘‘O que a diferencia de outras bactérias é a sua grande resistência aos antibióticos. Somente um remédio encontrado no Exterior é capaz de exterminá-la’’, disse o médico. O medicamento, conhecido como polimexina B, é fabricado nos Estados Unidos.
O acompanhamento do quadro clínico dos pacientes da UTI acontece através de exames periódicos de secreções. Ontem os médicos do HC fizeram mais uma bateria de testes, mas o resultado não foi divulgado, assim como o nome dos pacientes e suas situações.
Para evitar a contaminação em outras áreas do hospital, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar está orientando os funcionários sobre os procedimentos a serem adotados. Uma das orientações é a entrada de médicos, enfermeiras e residentes na UTI com máscaras e roupas especiais.
Há a suspeita, porém, que a bactéria tenha chegado à UTI através de outros setores. ‘‘O paciente contaminado pode ter vindo de outra ala do hospital’’, disse o médico. Com isso, pode aumentar o número de pessoas contaminadas internadas no HC. Mensalmente o hospital atende uma média de 60 mil pessoas.
O assunto está proibido no HC. Nos setores de pronto-atendimento e na Supervisão de Enfermagem ninguém está autorizado a falar sobre o problema. Ontem o diretor Luiz Carlos Sobania não foi localizado pela Folha e na assessoria de comunicação do HC ninguém foi encontrado.

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